O Melhor De Mário De Andrade traz um de nossos maiores escritores, ícone do movimento modernista, o autor de Macunaíma, o herói sem nenhum caráter, publicado em 1928.
Reconhecidamente um polígrafo, Mário de Andrade dedicou a vida a escrever sobre os mais diversos temas, adotando para tanto todos os gêneros literários. Devotado a um projeto literário de vasta abrangência, moveu-se com desenvoltura pela música, pelo folclore, pelas artes plásticas, pelo cinema, pela poesia e pela prosa de ficção.
Incansável, revisitava seus textos, estudava-os, modificava-os; em 1925, chegou a escrever para Manuel Bandeira afirmando que nunca haveria de produzir obra definitiva. Talvez essa característica, a fronteira entre a insatisfação e o perfeccionismo, seja a marca dos grandes escritores. E talvez por isso seja tão difícil selecionar seus textos mais significativos, ou os “supostamente melhores”.
Para nosso trabalho de seleção percorremos a obra de Mário de Andrade de uma forma geral. Escolhemos seus textos mais conhecidos, os que trazem seu projeto literário de forma mais marcada, os que brindam o leitor com histórias especialmente saborosas.
Partindo dos escritos da juventude, reunidos pelo próprio autor em Primeiro andar, título indicativo de uma cronologia que se afasta completamente da ideia de evolução. Aliás, vale observar que, para acompanhar o percurso criativo do autor, foi adotada a ordem cronológica de publicação, embora nada em Mário de Andrade tenha lugar fixo e definitivo.
Na segunda edição da obra, por exemplo, Mário de Andrade adverte que aquele é quase um livro novo, posto que ele eliminou contos e remanejou outros, o que significa que diversas fases de sua produção acabaram contempladas ali. Desse livro, escolhemos a narrativa mais antiga do autor, “Conto de Natal”, escrita quando ele tinha apenas 21 anos, além de “Caso pançudo”, “História com data” e “Briga das pastoras”, produzida 25 anos depois daquela primeira.
Ainda para integrar a parte de contos, selecionamos “O besouro e a Rosa”, “Jaburu malandro”, “Menina de olho no fundo” e “Túmulo, túmulo, túmulo”, de Os contos de Belazarte, e os mais conhecidos “Frederico Paciência”, “Primeiro de Maio”, “O peru de Natal”, “Vestida de preto”, “Tempo da camisolinha” e “O poço”, de Contos novos.

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