Lúcia Regina Vieira Romano – De Quem É Esse Corpo?

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De Quem É Esse Corpo? analisa a criação teatral contemporânea das mulheres e questiona a caracterização dessa produção a partir do recorte de gênero feminino. A partir dos termos teatro feminino, teatro da mulher e teatro feminista, Lúcia Romano aponta as implicações deles na crítica e na prática teatrais, na cena nacional e internacional, e a necessidade de revisão dessa terminologia.
A autora ressalta a atual multiplicidade de estratégias e poéticas particulares do teatro feito por mulheres, em especial, nas atuações de algumas performers, das atrizes criadoras integrantes do OdinTeatret e da rede internacional Magdalena Project. Observa ainda o progresso do teatro feminista internacional, nas criações dos teatros lésbico, feminista negro e multicultural.
Para iluminar o complexo cruzamento entre corporeidade, processos criativos e subjetivação, a autora propõe a constituição de imagens encarnadas, em que a consciência de gênero gera corporeidades específicas na cena, e a análise do corpo sexuado, no processo de comunicação teatral.
Por fim, projeta um teatro do andrógino, afeito à subversão de concepções binárias e capaz de encorpar a instabilidade das performances de gênero.
De Quem É Esse Corpo? – A performatividade do gênero feminino no teatro contemporâneo: cruzamentos entre processos criativos das mulheres, cena e gênero parte da pergunta sobre a presença das mulheres na cena atual, dividindo-se em ênfases diversas, uma de fundo mais histórico, outra ancorada na observação de alguns casos e uma terceira buscando apontamentos analíticos.
Esse formato “impuro “foi necessário para fundir três eixos aqui reunidos, a saber, a corporeidade da mulher na cena, seu corpus autoral em teatro e o debate sobre gênero feminino e feminismo. Esses mesmos elementos poderiam ser desmembrados em estudos pormenorizados. Porém, eles se relacionam tão profundamente (assim como não é possível separar corpo e mente, carne e discurso, fazer teatral e ideologia), que vale a pena enfrentar o desafio de considerar os diálogos múltiplos que geram.

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