Humberto Perinelli Neto (Org.) – Retalhos De Experiências Modernas

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Retalhos De Experiências Modernas reúne textos dedicados a compreender experiências sociais provocadas pela modernização levada pela economia cafeeira às cidades do interior paulista, durante a Primeira República.
Os textos conectam-se ao trabalho de José Evaldo de Melo Doin, docente que orientou os autores por mais de duas décadas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Franca.
Melo Doin dedicou-se ao estudo da construção histórica da contemporaneidade, por meio de análises do intricado diálogo entre História, Economia, Ciência Política, Arquitetura e Urbanismo.
Em Retalhos De Experiências Modernas, fontes diversas – almanaques, fotos, crônicas, jornais, memórias, álbuns, entre outros – são interpretadas para compreender as vivências urbanas construídas com a chegada de tecnologias e hábitos novos, ao mesmo tempo em que traços de antiga sociabilidade e certos limites materiais e técnicos continuam preservados.
As cidades tratadas neste Retalhos De Experiências Modernas: Histórias, Cultura e Cidades no Interior Paulista – Primeira República são: Ribeirão Preto, Santa Bárbara do Oeste, Franca, Mococa, Batatais, Rio Claro, Barretos e São Carlos; situam-se à margem direita do Tietê e, em sua maioria, tiveram o início de formação nos meados do século XIX.
É difícil e perigoso generalizar-se, entretanto, mesmo a partir de abordagens e focos diferentes dos autores podem-se perceber situações similares que perpassam por essas urbes crescidas na esteira e ao redor da riqueza proporcionada pela expansão do café. Importante frisar que duas das cidades tinham sua economia voltada a outras atividades, como Barretos, com a produção pecuária, e Santa Bárbara do Oeste, centro agrícola de abastecimento alimentício, ambas fundamentais para atender a grande maioria de cidades que tinham o café como cultura única.
A base para a implantação dessas formações urbanas, assim como da quase totalidade das cidades paulistas criadas no século XIX, é o Patrimônio Religioso, constituído por gleba doada por fazendeiro, ou grupo deles, a um santo, o que fará com que a Igreja Católica tenha primazia sobre o solo urbano, que defina o local da capela com seu largo e que afore a terra citadina. Com a República e a separação entre Estado e Igreja, novos tempos se interporão, novos embates serão travados em uma luta, nem sempre surda, entre o poder público constituído e a Igreja, dona do Patrimônio Religioso.

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