Publicado em 1937, Nordeste, de Gilberto Freyre, propôs constituir uma análise impressionista da ecologia social daquela região. O sociólogo posicionou-se frente aos debates de seu tempo sobre a construção da nacionalidade e o estabelecimento de um patrimônio nacional.
Em páginas voltadas antes ao futuro do que meramente ao passado, Freyre realiza um trabalho intelectual dirigido à criação de novos rumos para a sociedade brasileira, a partir de possibilidades vislumbradas em seu passado.
Gilberto Freyre nunca se esquecera daquela excursão a uns restos de matas virgens do sul de Pernambuco, pertencentes a um amigo. Crescido na cidade, estranhou o fato de que seu cicerone também nada sabia acerca das frondosas árvores próximas ao seu engenho, apesar de “serem elas suas conhecidas velhas desde o tempo de menino”.
Mas, se elas ali estavam, presentes por toda uma vida, parecia que mal tinham sido vistas: delas não sabia sequer o nome, nem nenhuma de suas características. Foi preciso chamar um velho lavrador.
Este, sim, solucionou os enigmas, nomeando as árvores e, ao mesmo tempo, contando como esta continha um leite que curava ferida brava, daquela outra se fazia um chá para febre, e assim por diante.
A este amigo, Pedro Paranhos, senhor de Japaranduba e ignorante da vida a seu redor, Freyre dedicou sua obra Nordeste, publicada em 1937.
Talvez esta tenha sido uma das ocasiões vividas a partir de sua decisão de passar um longo tempo em contato íntimo, direto ou, como ele mesmo diria, franciscano, com a paisagem, a natureza e as pessoas diversas que habitavam aquela região.
Isto não o dispensara de preocupar-se com longa pesquisa, na qual se dedicara a buscas em arquivos, leituras de documentos e inúmeros livros: trabalho de gabinete que não satisfez Freyre, não para este livro que queria escrever, desejoso de ousar “uma espécie de ensaio marginal”, uma obra impressionista, na qual propunha uma abordagem de ecologia social

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