Em Os Destruidores De Máquinas, Ferrer estuda o breve momento histórico em que os atos furiosos dos destruidores de máquinas fizeram tremer os novos industriais e capitalistas ingleses no início do século XIX.
Tudo começou em 12 de abril de 1811. Durante a noite, trezentos e cinquenta homens, mulheres e crianças lançaram-se contra uma fábrica de tecidos de Nottinghamshire destruindo os grandes teares a golpes de maça e ateando fogo nas instalações. O que ali ocorreu logo se tornaria folclore popular.
Desde os tempos antigos a forca tem sido um castigo desonroso. Quando se medita sobre sua familiaridade estrutural com o pelourinho compreendemos por quê está situada no escalão mais alto reservado à desonra de uma pessoa.
A ela apenas tinham acesso os baixos estratos sociais delinquentes ou refratários: a quem não se flexionasse os joelhos, se dobraria a nuca pela força.
Alguns justiçados famosos da época moderna foram mártires: a Parsons, Spies e seus companheiros de cadafalso recordamos em cada 1º. De Maio. Mas poucos/as recordam o nome de James Towle, que em 1816 foi o último dos destruidores de máquinas a quem se quebrou a nuca.
Foi à forca gritando um hino luddista até que suas cordas vocais se apertaram em um só nó. Um cortejo fúnebre de três mil pessoas entoou o final do hino em seu lugar, a capella.
Três anos antes, em catorze cadafalsos alinhados haviam balançado outros tantos acusados de praticar o “luddismo”, nome de um novo crime recentemente legalizado.
Naquele tempo existiam dezenas de delitos tipificados cujos/as autores/as entravam ao reino dos céus passando pelos nós de uma corda.
Por assassinato, adultério, roubo, blasfêmia, dissidência política, muitos eram os atos pelos quais podia se perder o fio da vida. Em 1830, um garoto de apenas nove anos foi enforcado por ter roubado alguns gizes coloridos, e assim foi até 1870, quando um decreto humanitário acomodou todos eles em apenas quatro categorias.
Conheciam-se as duras leis que a todos/as contemplavam como “The Bloody Code” (O Código Sangrento).
Mas o luddismo se constituiu em um insólito delito capital: desde 1812, estragar uma máquina na Inglaterra custaria a pele. Na verdade poucos/as recordam os/as luddistas, ou “ludds”, título com o qual se reconheciam entre si.

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