Rainer Maria Rilke – O Diário De Florença

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Escrita quando o poeta e prosador tinha apenas 22 anos, O Diário De Florença foi inspirado pela musa Lou Andreas-Salomé. Trata-se de uma reflexão bela e original sobre a arte e os artistas.
Encontram-se aqui as considerações de Rilke sobre os mestres do Renascimento, Botticelli, Rafael, Michelangelo, Carpaccio (cujas obras vemos reproduzidas), além de Dante Alighieri e Lorenzo dei Medici.
Em meio a essas digressões estéticas, O Diário De Florença traduz a paixão do escritor por Lou, sua interlocutora ausente. As alegrias de Rilke, de par com sua frustração e angústia, percorrem todas as páginas, às vezes de modo velado, às vezes abertamente.
Sincero, em alguns momentos áspero e polêmico, mas sempre lúcido e instigante, O Diário De Florença é leitura essencial para todos os que acompanham a obra de Rilke, considerado uma “das principais influências na literatura alemã do século XX, e também para os que se interessam em explorar os meandros.., da criação artística e os mistérios do amor.
Nascido em 1875, Rainer Maria Rilke é um dos escritores que mais influenciaram a moderna literatura alemã. Batizado como René (renascido), trocou o nome para Rainer após conhecer Lou Andreas-Salomé, por quem se apaixonou.
Mulher culta e inteligente, amiga de Nietzsche, Tolstói e Freud, Lou era quinze anos mais velha que Rilke. Foi ela quem lhe sugeriu a viagem à Itália e também a manutenção de um diário. Quando o compôs, o poeta ainda não tinha completado 23 anos.
O que temos, assim, é menos um diário no sentido tradicional do que o processo vívido, angustiado e deslumbrante da formação de um artista.
O Diário De Florença, engloba três momentos. O primeiro é o contato de Rilke com a paisagem florentina e com as criações dos grandes mestres do Renascimento. Suas considerações sobre artistas como Botticelli, Rafael, Michelangelo, Fra Bartolomeo, sobre a arquitetura e as obras de palácios, pátios, praças e conventos, são acompanhadas da advertência: “Um guia para a Itália destinado a orientar o visitante sobre o desfruto de suas obras de arte deveria conter uma só palavra, e um único conselho: olha!”
Essa atitude independente, que convida a um relacionamento direto com as obras, coaduna-se com o outro momento do livro: sua reflexão sobre a arte e os artistas. Rilke combate a arte “de filisteus para filisteus”, intermediada pela autoridade crítica e disposta a eliminar o que a criação “possa apresentar de desagradável, de triste ou trágico, de nostálgico e ilimitado, de terrível e ameaçador”.
Por fim, O Diário De Florença é também um monólogo amoroso, no qual Rilke procura engajar ideologicamente sua interlocutora ausente, Lou, conquistando-lhe a afeição. O Diário De Florença foi escrito para ela, por causa dela. “Sinto que minha alegria permanece impessoal e sem brilho, enquanto dela não participares como confidente”, confessa, no início, o autor à amada.

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