A origem do coronelado brasileiro está no livro O Feudo: A Casa Da Torre De Garcia D’Ávila: da conquista dos Sertões à independência do Brasil.
Na Casa da Torre — base de operações fundada por Garcia D’Ávila, na enseada de Tatuapara, após ter derrotado as tribos indígenas ali existentes em janeiro de 1550 —, com seus muitos procuradores, nasceu o atual sistema fundiário brasileiro.
Os homens escolhidos para administrar a grande extensão territorial não apenas conquistaram o interior do país, como, por três séculos, detiveram o poderio econômico, político e militar sobre um espaço físico três vezes maior que o de Portugal.
Os herdeiros desse poder passaram, com os anos e mudanças sócio-políticas, a proprietários que, com a desintegração completa do sistema de feudo, ficaram conhecidos como coronéis.
Neste livro, o professor Moniz Bandeira disseca uma parte da história do Brasil pouco conhecida do público e do meio acadêmico. Os estudos até agora publicados sobre a nossa colonização prendem-se apenas ao desbravamento nascido das Entradas e Bandeiras, deixando de lado aspectos extremamente importantes: os concessionários de sesmarias.
São estes os grandes responsáveis pela ocupação dos sertões e pelo estabelecimento dos costumes da região — sociais e econômicos. Dentre essas propriedades quase feudais, a Casa da Torre foi a que mais se destacou no papel de pólo irradiador de cultura, além de ser decisiva na guerra contra os holandeses.
Para preencher essa falha na historiografia nacional, chega O Feudo: A Casa Da Torre De Garcia D’Ávila: da conquista dos Sertões à independência do Brasil.
Sem desmerecer a importância dos bandeirantes, Moniz Bandeira redimensiona a conquista e desbravamento dos sertões, lembrando que eles avançaram geograficamente de forma admirável, mas nunca organizando política e economicamente o espaço conquistado.
Isso tudo numa narrativa competente que, mesmo tratando de um assunto histórico, jamais esbarra no tédio cronológico comuns a inúmeros livros acadêmicos.

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