Era um diretor polêmico e enérgico e ensaiava à exaustão, exigindo o máximo dos atores. Passou pelo Teatro Brasileiro de Comédia e pelo Teatro Cacilda Becker.
Ziembinski (ou Zimba, como logo o apelidaram), além de ator e diretor, era pintor e fotógrafo. Em 1950, já possuía sua própria companhia. Como ator, seu porte físico avantajado, conquistava os papéis de reis e tiranos.
Fez um bicheiro em “Boca de Ouro”, um pai de família em “Jornada de Longo Dia para Dentro da Noite”, e uma velha alcoviteira em “A Celestina”. Fez também “Dorotéia” e “Pega-fogo”, além de “O Santo e a Porca”, ao longo da década de 1950.
O velho Mestre Zimba tinha o direito de comprar certas brigas. Muito emocionado, mas tentando ser o mais cauteloso possível, diante da plateia que lotava o Teatro Ipanema e o aplaudia de pé, Ziembinski não pôde comemorar, como sonhava, seus 50 anos de teatro.
Em outubro de 1976, quatro horas e meia antes da estreia marcada de Quarteto, de Antônio Bivar, a Censura proibira a peça, alegando que ofendia à moral e aos bons costumes.
“A notícia me pegou de surpresa, pois os censores já haviam garantido que estava tudo certo e não mencionaran qualquer corte no texto lido”, dissera Ziembinski. Poucos dias depois, a peça foi liberada, mas os 50 anos de palco foram comemorados com amarga decepção.
Foi esse o tratamento dispensado ao profissional que, chegando ao Brasil em 1941, tornou-se um dos criadores do teatro brasileiro moderno. Foi decisiva sua influência, particularmente com a encenação de Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues, em 1943, marco da divisão entre o velho e o novo teatro nacional.
Mas quando partiu da França, em 4 de janeiro de 1941, não vinha propriamente com a intenção de trabalhar em teatro no Brasil. Na verdade, fora convidado para dirigir um grupo polonês amador nos Estados Unidos, um bom motivo para ele deixar a Europa: “Naquele caos em que tudo era contra nós uma multidão desorientada, alucinada e perseguida a única maneira de nos acalmarmos era deixar o território invadido e possuído pela guerra”.

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