Wallace De Deus Barbosa (Coord.) – Inventário Para Registro E Salvaguarda Da Capoeira Como Patrimônio Cultural Do Brasil

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O universo de quem se aventura a pesquisar a capoeira é vasto. A arte apresenta registros iconográficos e documentais desde o século XVIII, possui diversas vertentes ensinadas por mestres, contra-mestres, professores e instrutores, e cobre um amplo território geográfico que mapeia os cinco continentes, uma vez que as rodas de capoeira estão difundidas em mais de 150 países.
O desafio do Inventário para Registro e Salvaguarda da Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil, realizado entre 2006 e 2007, era construir um diálogo entre o tempo histórico passado e o tempo presente.
Como patrimônio vivo, a capoeira se mantinha no cenário atual através dos mestres que representavam o saber. Ao mesmo tempo, acumulava produção documental que atravessava os últimos três séculos.
Havia a necessidade de reconstituir brevemente a história da capoeira e realizar um registro instantâneo de seu momento presente.
Diante destes requisitos, a pesquisa se concentrou em três eixos principais:
1) pesquisa historiográfica;
2) trabalho de campo;
3) abordagem de temas relacionados à capoeira, como a reflexão sobre o aprendizado e a descrição das rodas.
A constituição deste dossiê, que pretende justificar a importância da capoeira como bem cultural do Brasil, deu-se amparada nestas três linhas de caráter metodológico distinto. Por isso, buscou-se a formação de uma equipe multidisciplinar que pudesse dar conta dos diversos vetores do projeto.
Também era importante definir o recorte territorial da pesquisa. Um reforçado imaginário produzido por livros, filmes e telenovelas relacionou a capoeira à escravidão rural, a sua pratica nas senzalas sob o olhar desconfiado do senhor de engenho, mas a capoeiragem fincou raízes nas áreas urbanas.
A perspectiva que parecia mais coerente remetia para o desenvolvimento da arte nas principais cidades portuárias brasileiras, tendo surgido como prática urbana de resistência de escravos ao ganho, na maioria das vezes reunidos nos agrupamentos conhecidos como maltas.
Cidades como Salvador, Rio de Janeiro e Recife receberam um grande contingente de africanos escravizados e se tornaram verdadeiros “santuários” da capoeira antiga. Principalmente as cidades do Rio de Janeiro e Salvador possuíam bastante documentação sobre a capoeiragem.
Diante da amplitude da capoeira como campo, espalhada pelos territórios nacional e internacional, optou-se pela pesquisa nos lugares históricos como ponto de partida para a reconstituição de sua trajetória. Nestes locais, os mestres seriam ouvidos, suas escolas e rodas visitadas e registradas.
O texto desenvolvido neste dossiê busca reconstituir brevemente a história da capoeira e descrever sua prática, cultura material e rituais. Um arranjo que pretende justificar sua importância como bem cultural, a partir da documentação escrita e dos relatos dos mestres que continuam em atividade.

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