Nelson Rodrigues – O Casamento

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A apenas um dia do casamento de Glorinha e Teófilo, o médico da noiva avisa ao pai dela que seu futuro genro foi flagrado em um incidente homossexual. Esse é o ponto de partida para Nelson Rodrigues desfilar sua genialidade irônica e o humor negro tão característicos de sua narrativa.
Escrito por encomenda para Carlos Lacerda, O Casamento, único romance de Nelson, foi publicado em 1966 e alcançou sucesso extraordinário em poucas semanas.
O autor já se preparava para uma brilhante carreira nas livrarias quando foi tomado de surpresa pela notícia da morte de Mário Filho poucos dias após o lançamento do livro.
Antes que pudesse se recuperar da perda de seu irmão, O Casamento foi proibido pelo ministro da Justiça do governo de Castello Branco, tendo sido considerado subversivo e indecoroso.
O Casamento não é apenas o único romance que Nelson Rodrigues escreveu em nome próprio, é um romance escrito por encomenda, em dois meses, e que acabou confiscado pela ditadura brasileira, por constituir um “atentado contra a organização da família”.
Passado nas 24 horas que antecedem o casamento de Glorinha, menina dos olhos de seu pai, o romance concentra todas “as obsessões que tanto mitificaram como amaldiçoaram o autor: adultério, incesto, moralismo, sexo e morte”.
O pai de Glorinha é informado, na véspera do casamento da filha, de que o genro beijou outro homem, mas um casamento não se adia, nem que para isso a vida de todos os envolvidos fique virada do avesso.
Assim, aquilo que até pode ter começado como um ‘fait-divers’ desenrola-se com uma intensidade tal que abala tudo e todos, e fez com que o livro fosse confiscado pela ditadura brasileira, por atentar contra o que chamou a “organização da família”.

Nascido no dia 23 de agosto de 1912 em Pernambuco, no Recife, Nelson Rodrigues foi um grande escritor e jornalista. Aos 4 anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro com sua família e, já adulto, trabalhou como jornalista no jornal A Manhã, cujo dono era seu oróprio pai. Ali, Rodrigues atuou principalmente na editoria de polícia, tendo acumulado experiência para escrever suas peças a respeito de sociedade.

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