Theodor W. Adorno – Teoria Estética

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Obra chave, polêmica e inconformista, de um dos maiores teóricos da estética, fundador da Escola de Frankfurt.
Para Adorno, a obra de arte apresenta-se como antítese da sociedade, à luz da conjuntura política e social da época (pós segunda guerra mundial) e considera-a um reflexo com mediação do mundo real, com as suas antinomias e os seus antagonismos.
Adorno, cujo ensino de Estética se estendeu ao longo dos anos 50 e 60, comporia, com a Teoria Estética, a Dialética Negativa e outra obra de filosofia moral que nunca chegou a ser concretizada devido à sua morte inesperada em 1969, um tríptico central da sua produção. A reflexão estética constitui para o autor o lugar nodal em que confluem e se entrecruzam todas as dimensões da reflexão sobre a sociedade contemporânea. É em torno da recusa de todo o tipo de fetichismos que se articula a estratégia teórica de Adorno em toda a sua obra. O autor, que durante toda a sua vida teve como principal preocupação a preservação da sua integridade intelectual e a continuidade da sua personalidade, encontrava na arte o potencial crítico capaz de libertar o sujeito da fraude da subjetividade. Teoria Estética constitui uma reflexão sobre a arte moderna, mais concretamente sobre a situação, estatuto e função da arte na era da sua autonomia, passível a partir do estabelecimento das relações de produção capitalista.

Tornou-se manifesto que tudo o que diz respeito à arte deixou de ser evidente, tanto em si mesma como na sua relação ao todo, e até mesmo o seu direito à existência. A perda do que se poderia fazer de modo não refletido ou sem problemas não é compensada pela infinidade manifesta do que se tornou possível e que se propõe à reflexão.
O alargamento das possibilidades revela-se em muitas dimensões como estreitamento. A extensão imensa do que nunca foi pressentido, a que se arrojaram os movimentos artísticos revolucionários cerca de 1910, não proporcionou a felicidade prometida pela aventura. Pelo contrário, o processo então desencadeado  começou a minar as categorias em nome das quais se tinha iniciado. Entrou-se cada vez mais no turbilhão dos novos tabus; por toda a parte os artistas se alegravam menos do reino de liberdade recentemente adquirido do que aspiravam de novo a uma pretensa ordem, dificilmente mais sólida.

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