Gustavo Soranz & Outros (Orgs.) – Imagens Que Falam

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Falar sobre a presença marcante das imagens técnicas no mundo contemporâneo, sobre a importância de nossa cultura visual, pode ser tomado como truísmo, decerto. Sabemos que a modernidade tem como uma das características centrais a crescente presença das imagens na relação do homem com as coisas e fenômenos do mundo. Diversas são as correntes teóricas e epistemológicas nos campos das humanidades e das artes que têm se dedicado a problematizar questões relacionadas às imagens, sob os mais diferentes aspectos e perspectivas, originando diferentes linhas e metodologias de análise. Aqui nosso enfoque recai sobre a eloquência das imagens, sua performatividade, a potência sobre elas que faz detonar ações políticas, que as tornam objetos de (auto) representação e de preservação de identidades, que as transformam em instrumentos da memória e de lutas sociais, culturais e de gênero.
Imagens produzidas por modernas ou antigas tecnologias, mas inscritas em novos circuitos de circulação e distribuição; imagens que fazem dialogar os campos da ética e da estética, da arte e da política.
A força retórica das imagens estáticas ou em movimento é a essência deste livro, que reúne textos de pesquisadores que se debruçam sobre diversas de suas expressões: da fotografia ao cinema, da televisão à internet, tomando as imagens para além de suas expressões tradicionais e dando sentido ao que convencionou-se chamar de campo do audiovisual, considerado a partir da expansão dos dispositivos e meios de produção, difusão e recepção das imagens técnicas. O corpus aqui reunido nos permite refletir sobre caminhos e tendências dos estudos de cinema, fotografia e audiovisual hoje.
O livro está dividido em três grandes temas. O primeiro deles, dedicado ao domínio do cinema documentário, perscruta aspectos estéticos, éticos e políticos do documentário em diferentes períodos, em diferentes países. Nessa primeira parte, temos o trabalho de Sara Martín Rojo, organizadora deste livro, intitulado “Imagens de conflito: os vídeos amadores dos movimentos sociais”. O texto, infelizmente incompleto devido ao prematuro falecimento da autora, teve origem na comunicação por ela apresentada na IV Jornada de Estudos de Cinema e Fotografia, e reflete a pesquisa de doutorado que ela vinha desenvolvendo no Programa de Pós-graduação em Multimeios da Unicamp. Decidimos manter o material ainda inconcluso, não apenas como uma homenagem a nossa estimada colega, mas também por acreditarmos ser este o princípio de um instigante trabalho de investigação que Sara teria levado a cabo.

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