A piscicultura brasileira teve seu início no século XVIII, em tanques de terra edificados em áreas litorâneas, construídos por holandeses, quando da sua invasão no Nordeste.
Contudo, somente no início da década de 30 do século passado foi que se deu início ao desenvolvimento de tecnologias relacionadas à criação de peixes nos açudes da Região Nordeste, visando aumentar a produção de pescado como forma de minorar os problemas das secas.
Deste período até os dias atuais pode-se dizer que os progressos foram débeis, ao se considerar o grande potencial brasileiro, a partir dos seus 8.500 km de costa e de um considerável volume de águas continentais.
Contudo, continuamos a depender quase que integralmente de produtos das pescas costeira e oceânica, cujos recursos estão cada vez mais escassos devido à sobre exploração das espécies de maior valor comercial. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) o consumo per capita nacional de pescado alcançou 11,7 kg em 2011, correspondendo a um aumento de 14,5% em relação ao ano anterior.
Como consequência, a importação passou das 285,6 mil ton. de 2010 para 349,5 mil ton. em 2011 com um aumento de 22,4% destinados a suprir as demandas de mercado, devido ao reduzido aumento de produção interna. Como consequência, verificou-se um déficit na balança comercial na casa dos US$ 991 milhões em relação ao déficit computado em 2010 que foi de US$ 778 milhões.
O registro do PIB brasileiro do Agronegócio alcançou US$ 491 bilhões, sendo que apenas 7% deste total são provenientes do PIB do setor pesqueiro. Vale salientar que dos 1,43 milhões de ton. de pescado produzidas em 2011, apenas 628,7 mil ton. foram produzidas pela aquicultura, com a tilápia e o tambaqui predominando entre as espécies de peixe mais cultivadas.
Este quadro leva a sugerir aos gestores da pesca a necessidade premente de se realizar investimentos que a curto e longo prazo permitam avançar na direção de empreendimentos de cultivo com garantias de retorno e sustentabilidade.
O livro Ensaios Com O Beijupirá: Rachycentron Canadum tem origem no projeto “Nutrição, Sanidade e Valor do Beijupirá, Rachycentron canadum, Cultivado no Nordeste do Brasil”, coordenado pelo Prof. Dr. Alberto Jorge Pinto Nunes. A obra é apresentada em 15 capítulos e enfoca os pilares básicos para o cultivo de uma espécie.
Nesta obra os autores pretendem criar um campo de discussão com vistas a aprofundar as pesquisas que permitam em curto prazo a implantação de unidades de cultivo do beijupirá, alicerçadas em conhecimento científico que possa garantir resultados promissores aos investidores.

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