A presente obra, como o próprio título sugere, representa um fluxo de continuidade do esforço de disseminação produtiva do coletivo de professores e orientados/orientandos da Área de Saúde Coletiva do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – CCS/UFRB, em relação à publicação do primeiro Livro “A Saúde Coletiva em Destaque” (2016), oportunizando novamente o compartilhamento de experiências e de parte da produção acadêmica desse grupo.
Nesse breve período entre ambas publicações, uma série de iniciativas poderiam ser citadas como reafirmação dos ideais que permearam a trajetória de mais de 10 (dez) anos de implantação da Universidade e do CCS: a promoção da democratização do ensino superior como meio de fortalecer a integração socioeconômica, política, artística e cultural do território de identidade do Recôncavo. Escolhemos aqui uma dessas iniciativas para simbolizar esse processo: a ação de concepção e produção de um mural visual permanente no CCS, uma primeira intervenção artística que vem preencher suas, até então, monocromáticas paredes.
O Mural intitulado “Raízes Recôncavas”, foi proposto como Projeto de intervenção artística para o Centro como parte das atividades do “Reencôncavo Saúde” (evento integrativo) do primeiro semestre de 2016, a partir do convite feito ao Artista Visual Tiago Botelho, de iniciativa de dois coletivos de pesquisa e extensão.
“Raízes Recôncavas” foi concebido, desenhado e pintado no CCS em um processo que procurou envolver a comunidade acadêmica e com o objetivo de propor um olhar artístico etnográfico sobre a cultura do Recôncavo Baiano, elencando uma série de signos que permeiam o universo material e simbólico desse território: a paisagem, o casario, as manifestações culturais como o samba de roda e a capoeira, as festas populares, o ofício da baiana de acarajé, as parteiras, rezadeiras e raizeiras tradicionais, as religiões de matriz africana, o catolicismo santantoniense representado por Santo Antônio, a diversidade humana, a negritude, o indígena, a cigana, além de uma série de elementos da fauna e flora. Algumas pessoas reconhecidas também foram retratadas, como Dona Dalva Damiana de Freitas, Doutora Honoris Causa pela UFRB.
Uma figura central estrutura o mural: uma árvore em cuja fronte repousa uma senhora carregando um pote e em cuja copa, como frutos, estão dispostas pessoas de etnias, gêneros e gerações diferenciadas. Assim, intencionamos que essa imagem salvaguarde em nós, em nossas práticas e nos saberes que dispusermos para compartilhar, uma relação intrínseca de reconhecimento deste território humano e (i)material como fonte inesgotável de semeadura e colheita.

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