Eduardo Prado – Fastos Da Ditadura Militar No Brasil

Os seis artigos que compõem o livro Fastos Da Ditadura Militar No Brasil, de Eduardo Prado, foram publicados originalmente entre dezembro de 1889 e junho de 1890, na Revista de Portugal, dirigida por Eça de Queirós e sediada em Paris.
Na ocasião, o autor não residia na Europa na condição de exilado. Exilado ele esteve depois, ainda que por vontade própria, já que não fora banido do Brasil, mas de onde fora levado a fugir, primeiramente em 1893, após a publicação e confisco de A ilusão americana, depois, entre 1896 e 1897, à época da revolta de Canudos, quando opositores do regime, como era sua situação, eram acusados de estimular o movimento rebelde de Antônio Conselheiro, com o fito de restaurar a monarquia.
Fastos Da Ditadura Militar No Brasil abre com uma introdução assinada por Frederico de S., o pseudônimo escolhido pelo autor para representá-lo. Esclarece de imediato que o objetivo, com a reprodução dos artigos publicados primeiramente na Revista de Portugal, era posicionar-se “contra as práticas adotadas pela ditadura militar e republicana no Brasil”.
Esse posicionamento se evidencia em “Os acontecimentos do Brasil”, primeiro dos seis artigos, com oito páginas. Anuncia com certo estarrecimento a queda da monarquia ocorrida no Brasil, e as ações subsequentes dos novos detentores do poder, cuja única providência inovadora, conforme Frederico de S., fora promover a prisão ou o desterro de “quem mostra opinião contrária à do povo, do exército e da marinha”.
Uma frase resume a situação vigente: “O Brasil está neste momento sob o regime militar.”; logo, não se trata da passagem do sistema monárquico para o republicano, mas a substituição do regime “civil” (segundo o autor, o país vinha sendo governado por um “rei civil”) pelo “militar”.
O artigo é curto, e o autor apresenta-se como um cronista, “a quem somente cumpre contar os acontecimentos”. Narra-os por meio da transcrição dos telegramas enviados às agências europeias de notícias, mas, ao colá-los em sequência, alcança novo efeito de sentido, desarticulando, com humor irônico, as intenções do emissor brasileiro.

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