Excetuando-se as pesquisas realizadas pelos historiadores Hélio Silva e Edgard Carone, a grande maioria dos estudos crítico-informativos da história do Brasil vem sendo realizada por pesquisadores estrangeiros – principalmente norte-americanos. Assim, ao leitor e/ou estudioso da política e história brasileiras não restam muitas alternativas: ou importa, “pagando uma nota”, o original (geralmente em inglês) ou espera por alguns anos até que alguém o edite em português. Tal é o caso do livro ora resenhado, publicado originalmente em 1970 pela Cambridge University Press, chegando até aqui com um atraso de seis anos.
Após minucioso trabalho de pesquisa nos arquivos da Inglaterra e do Brasil, Leslie Bethell, professor de história do Brasil e da América Espanhola no University College de Londres, levantou documentos relativos à história da abolição do tráfico negreiro no Brasil. A oportunidade que lhe coube de explorar largamente, ao longo de duas viagens, o material existente em entidades brasileiras – Biblioteca Nacional, Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Arquivo Histórico do Itamarati, Arquivo Nacional, Museu Imperial de Petrópolis – bem como sua familiaridade com os arquivos ingleses – Public Record Office, British Museum, Institute of Historical Research, University College London Library, inclusive tendo acesso ao National Register of Archives – forneceram-lhe excelente base para um trabalho de informação, revisão e análise do problema do tráfico de escravos.
O objetivo do autor ao longo dos 13 capítulos escritos em estilo cativante e irônico, com cerca de 25 a 30 páginas cada, foi o de traçar, dentro de um plano geral, o estudo detalhado de um aspecto importante da questão: a luta pela abolição do comércio de escravos para o Brasil. Tendo em mente esta finalidade, procurou responder a três questões básicas: primeira, de que maneira o tráfico de escravos, um dos pilares da economia brasileira, conseguiu ser declarado ilegal? ; segunda, por que foi impossível, nos 20 anos que se seguiram, suprimir o tráfico após ele ter sido declarado ilegal? ; e terceira, como foi ele finalmente abolido? Além disso afirma, sem falsa modéstia, que seu livro pode dar uma pequena contribuição à história de Portugal, uma vez que o tráfico ilegal de escravos para o Brasil, a partir da década de 1830, continuou a fazer-se sob bandeira lusa, sendo a África Portuguesa, até o fim, a maior fonte de escravos para as terras brasileiras

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