Ao louvar “a contribuição milionária de todos os erros”, Oswald de Andrade defendeu, com verve e absoluta originalidade, a fusão de elementos eruditos e populares, a incorporação da oralidade e a abolição de todas as fórmulas pré-fabricadas para expressar o mundo.
São ideias indispensáveis para quem procura compreender a cultura brasileira contemporânea.
Este volume reúne o Manifesto Antropófago e o Manifesto da Poesia Pau Brasil, duas obras breves e lapidares, verdadeiros registros históricos, além de sete textos preciosos não tão estudados da lavra oswaldiana:
Escolas & Ideias foi publicado no segundo número da revista Klaxon, em junho de 1922, quatro meses depois da Semana de Arte Moderna e pouco antes do fulgurante encontro de Oswald com Tarsila do Amaral.
No Manifesto da Poesia Pau Brasil”, são propostos novos princípios para a poesia: a fusão de elementos cultos e populares, a incorporação do cotidiano, o registro da oralidade — a abolição do “falar difícil”, “a contribuição milionária de todos os erros” — como “fatos estéticos”, com vistas a uma “poesia de exportação”.
Oswald defende uma revisão cultural do país a partir da valorização do elemento primitivo tão presente em nosso cotidiano, na esteira do que fizeram os cubistas europeus ao tê-lo como suporte estético-exótico. Paralelamente ao gesto revolucionário — “Bárbaro e nosso” —, reivindica a recuperação de elementos autóctones aliados às conquistas tecnológicas do século XX — “Um misto de ‘dorme nenê que o bicho vem pegá’ e de equações”.
O texto Falação é uma retomada dos principais pontos desse manifesto, condensando vários tópicos e sintetizando-o em mais de cinquenta por cento. O título escolhido evidencia a importância da oralidade para essa nova poesia, e o fato de que seja o texto de abertura do livro Pau Brasil, publicado em 1925, chama a atenção para a realização dos princípios que o manifesto apregoa.
Já o Manifesto Antropófago não só se constitui em um dos textos mais célebres do autor, como também é o que teve, e ainda tem, maior repercussão e mais desdobramentos no contexto cultural brasileiro, e maior divulgação no exterior. Concebido em janeiro de 1928, impulsionado pelo quadro Abaporu, de Tarsila do Amaral, com que Oswald foi presenteado em seu aniversário, foi publicado no primeiro número da Revista de Antropofagia, em maio do mesmo ano, acompanhado do desenho da referida obra.

      

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