Este livro não é contra a Força Expedicionária Brasileira, embora documentos e depoimentos apresentados desmintam ou corrijam muito do que se vem dizendo nos últimos quarenta anos sobre a participação de brasileiros na Segunda Guerra Mundial. É uma contribuição à História do Brasil, e não um libelo. Pertenço à geração que nasceu vários anos depois do conflito, quase nada aprendeu sobre ele na escola e nunca votou para Presidente. Esse último fato pode ser atribuído em boa medida a alguns dos oficiais que estiveram na FEB.
Meu interesse no assunto (que me parecia já ter sido tratado exaustivamente quando comecei a ler sobre a campanha) nasceu de um projeto de rotina elaborado em princípios de 1984 para o Jornal do Brasil, que eu representava desde 1979 como correspondente na Alemanha e, mais tarde, na Inglaterra. A ideia de então era ver se registravam, nos arquivos e junto a pessoas, ecos da presença de 25 mil brasileiros (entre muitas outras nacionalidades), ao lado dos americanos, combatendo alemães na Itália.
As primeiras consultas de obras alemãs de referência sobre o período, seguindo-se à leitura de obras brasileiras fundamentais, bastaram para suscitar a suspeita de que muito pouco – na verdade, quase nada – se sabia no Brasil sobre o adversário de há quarenta anos. As informações disponíveis no Brasil eram, no mínimo, incompletas. O mesmo quadro, em linhas gerais, se repetiria em relação ao que os aliados americanos pensavam dos brasileiros.
Tudo isso talvez possa parecer um pouco como justificativa para lançar num mercado saturado de relatos, memórias e reminiscências mais um livro sobre a atuação dos pracinhas na Itália. Logo observei, contudo, que a tarefa de narrar a campanha da FEB, bem como a de interpretar os fatos, havia permanecido (e continua permanecendo) quase exclusivamente a cargo dos protagonistas brasileiros de então. Exceto alguns poucos pronunciamentos oficiais, raramente, nos trabalhos publicados no Brasil, fez-se uso de fontes estrangeiras, nem houve, aparentemente, preocupação de cotejar a versão oficial e laudatória com o relato de alemães e americanos.
Não pretendo assumir, neste livro, a defesa de princípios metodológicos como “distância” ou “imparcialidade”. Procuro apenas realizar trabalho jornalístico, o qual implica a crítica histórica, isto é, fundada em documentos, das versões até agora dadas como boas e verdadeiras.

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