O último romântico Francis Scott Fitzgerald (1896-1940) captou como ninguém o que era ser jovem numa América ainda jovem. E o conseguiu fazendo o que para muitos escritores é conveniência, mas em seu caso era coragem: levando sua vida para sua arte de forma inédita.
Seus personagens vivem histórias de amor, desilusão e esperança num país que despontava para o centro do palco mundial e, ao mesmo tempo, ainda carecia de maturidade e estabilidade. São intensos e instáveis. E assim era Fitzgerald, cuja vida e obra marcariam para sempre aquelas primeiras décadas do que seria chamado de século americano.
Este Lado Do Paraíso, seu primeiro romance, não poderia deixar isso mais claro. Fitzgerald começou a escrevê-lo quando ainda era um estudante universitário, na prestigiosa Princeton, e tinha 24 anos quando o romance foi, enfim, publicado.
Se Este Lado Do Paraíso tem alguns dos defeitos característicos da juventude, como a dificuldade de organizar tudo que o autor sente, que tem a dizer para o mundo, ele extrai sua força desses mesmos traços. Com sua escrita ao mesmo tempo ágil e sensível, Fitzgerald dá à trama a devida temperatura, o fervor que cercava aquelas formas de comportamento.
A geração de Fitzgerald marcou a ascensão moderna da figura do jovem inconformista, inquieto, que quer escapar dos preconceitos dos mais velhos e não sabe muito bem o que pôr no lugar.
Aquilo que a contracultura elevaria a fator central da sociedade moderna, e que seria representado por Elvis Presley, John Lennon, Kurt Cobain e tantos outros ídolos da música pop, nasceu no período que Fitzgerald viveu e retratou: a angústia e o glamour de uma juventude que busca nova forma de existência, distante da caretice e carolice dos coroas, mas não chega a realizá-la, pelo menos não no teor desejado.
Em Este Lado Do Paraíso há diversas passagens em que Fitzgerald destila ironia contra a “profunda formação cristã” que uma escola como Princeton, destinada aos estudos dos filhos da classe dirigente, representava por excelência.
Ao mesmo tempo, Princeton também exercia fascínio por supostamente aglutinar aquela porção mais aristocrática e boêmia da juventude dourada – um pessoal bon-vivant e bonito, devotado ao lazer e aos romances, sem muito compromisso com seu futuro profissional e o futuro nacional. Esse tipo de ambiente ambíguo seduziu o escritor a vida inteira.

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