A Força Dos Mitos: Um volume de crônicas publicados pelo escritor e jornalista gaúcho Janer Cristaldo durante os anos de 1975 e 1976 no jornal Folha da Manhã, de Porto Alegre.
Nos textos que compõem A Força Dos Mitos, o autor aborda os mais variados aspectos da vida política, social, econômica e cultural brasileira e internacional a partir de uma perspectiva crítica direta e contundente.
São 58 crônicas em linguagem leve e bem cuidada, permeadas de ironia e conteúdo polêmico.

Com quem faremos a revolução? – escreveu Roberto Arlt – Com os jovens. São estúpidos e entusiastas.

Tenho manifestado, ao longo de minhas crônicas, minha desconfiança visceral a tudo que vem dos jovens. Tenho não poucas razões para tanto. Como todo mortal, já fui jovem e cometi muitas s besteiras naqueles dias. Y a las pruebas me remito. Estive relendo meu primeiro livro de crônicas, A Força dos Mitos, com textos publicados em 1975 e 1976. Há quase quatro décadas, portanto. Poeira do tempo à parte, há crônicas que ainda param em pé. Outras, confirmam Arlt.
Nada mais doloroso do que rever escritos de juventude. Por duas razões. Por um lado, descobrimos que acabamos renunciando a sonhos que naqueles dias pareciam realizáveis. Quem sabe talvez fossem, mas faltou-nos fibra. Por outro lado, as bobagens que escrevemos, e estas são as mais. Não porque fossemos bobos. Mas por falta de informação.
Informação só se adquire com idade, tempo e leitura. Qualquer afirmação definitiva de um jovem corre o risco de ser idiota, pois faltam-lhe elementos para qualquer afirmação definitiva.
Envolto pelo ambiente provinciano da Porto Alegre dos anos 70, pouco conhecendo do Brasil e menos ainda do mundo, eu alimentava na época uma visão terceiro-mundista da realidade que de longe me cercava. Via o declínio próximo dos Estados Unidos e a emersão do Terceiro Mundo. Via grande potencial humano na América Latina e decadência no hemisfério norte. O hemisfério norte, apesar da crise, vai bem. Nuestra America – como se dizia na época – continua patinando no atoleiro. Embora denunciasse as ditaduras na China e União Soviética, havia em mim um certo contágio de esquerda, que via no capitalismo um mal a combater.

       

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