Homens De Ciência: Coletânea de entrevistas publicadas, em sua maioria, no jornal Gazeta Mercantil entre 1998 e 2001. O jornalista Alessandro Greco entrevistou 26 cientistas que contribuíram decisivamente para grandes descobertas científicas do século XX. Entre eles, vários prêmios Nobel – Francis Crick, Pierre-Giles de Gennes, Ilya Prigogine, entre outros – e quatro brasileiros.

Greco começou a produzir reportagens e resenhas para informar o leitor dos debates mais quentes da atualidade. E começou a fazer uma série de entrevistas que, como verá o leitor, não deixou por menos: incluiu de Francis Crick, o descobridor da estrutura do DNA, a Jaron Lanier, o divertido inventor da realidade virtual; de Ilya Prigogine, com sua investigação do conceito de tempo na física e na psicologia, a John Casti, o pesquisador dos sistemas complexos adaptativos; de Murray Gell-Mann, que batizou os quarks, a Newton da Costa, o brasileiro que criou a “lógica paraconsistente”; de António Damásio e Gerald Edelman, dois dos principais estudiosos da consciência humana, a Hans Bethe, o físico nuclear que aqui defende o uso da bomba em Hiroshima e Nagasaki.
As entrevistas informam tanto sobre as pesquisas e pensamentos dos cientistas como lembram suas histórias, convivências e hábitos. O livro abrange da ciência pura à aplicada. Pergunta sobre Deus, clonagem, educação e política científica. Conversa com mentes como as de Freeman Dyson e Pierre-Gilles de Gennes sobre questões abrangentes e urgentes como energia nuclear ou efeito estufa. Recupera a história da física brasileira, mal conhecida e maltratada, com Roberto Salmeron e José Leite Lopes. Discute economia com W. Brian Arthur e câncer com Drauzio Varella. Permite ouvir de Steven Weinberg, John Wheeler, Martin Rees e Geoffrey Marcy a ansiedade quase lírica pelo entendimento dos paradoxos do cosmos. Fala de complexas questões práticas com Danny Hillis (inteligência artificial), Dean Hamer (manipulação genética) e Simon Singh (criptografia). Há, enfim, “inputs” possíveis para leitores de interesses diversos.
O resultado, entre tantas reflexões, pode fazer pensar em como o mundo contemporâneo, que parece (e é) tão fútil e comezinho na mídia em geral, está longe de poder nos desesperar, mesmo quando pensamos em períodos como o início do século passado e lamentamos a ausência de tal constelação intelectual.
Ainda que não seja comparável, a atualidade tem de aprender a celebrar a presença das cabeças pensantes que estão representadas neste livro. E deixar as imposturas no buraco negro da história.

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