Napoleão Bonaparte é reconhecidamente um dos maiores estrategistas de todos os tempos. Seu domínio sobre batalhas e sua capacidade de mobilizar exércitos revolucionaram a arte da guerra.
Além de ter vencido quase todos os cinquenta embates campais que empreendeu, foi um importante administrador do Estado. Grande parte do seu código civil, embasado nos preceitos da Revolução Francesa, vigoram até hoje na França.
Porém, Bonaparte não chegou a escrever uma obra organizada sobre guerra e estratégia. O especialista Bruno Colson foi responsável por reunir pela primeira vez todos os escritos de Napoleão – cartas, relatos orais anotados pelos memorialistas e inéditos encontrados em arquivos -, construindo um livro original, que revela as maiores qualidades do imperador francês.
Não é preciso ser francês para ver em Bonaparte o maior guerreiro de todos os tempos. Ele comandou tantas batalhas quanto Alexandre, o Grande, César e Frederico II da Prússia juntos, em terrenos, em condições climáticas e contra inimigos muito diversificados.
Seu domínio da guerra de massa e sua capacidade de mobilizar, organizar e equipar exércitos numerosos revolucionaram a arte da guerra e assinalaram o início da idade contemporânea. Embora sua carreira tenha terminado em derrota e exílio, nem por isto foi afetada a admiração que os próprios inimigos tinham por seus talentos militares.
Enquanto a reputação da maioria dos grandes chefes de guerra repousa num sucesso espetacular ou em algumas vitórias, Bonaparte ganhou quase todas as cinquenta batalhas campais que travou. De certa maneira, todos os oficiais do mundo se identificam com ele, pois conferiu à profissão militar uma envergadura intelectual e um profissionalismo ainda hoje reivindicados.
Paralelamente, a história militar, tal como a concebemos hoje no Ocidente, tanto no nível acadêmico quanto no do grande público, nasceu verdadeiramente com o estudo das guerras napoleônicas e com a tentativa de extrair delas lições para o ensino militar.
Acontece que Bonaparte não escreveu uma obra organizada a respeito, ao contrário de outros grandes capitães que o antecederam, como Montecuccoli e Maurice de Saxe. Várias vezes, todavia, acalentou tal projeto. Suas reflexões sobre a guerra pontuam sua correspondência, suas Mémoires, suas proclamações e seus escritos de Santa Elena, devendo ser localizadas em meio ao resto.
O trabalho já foi feito em parte e originou inúmeras coletâneas de “máximas”, em várias línguas. Uma das primeiras edições foi a do conde de La Roche-Aymon, que emigrou já no início da Revolução para servir no exército de Condé e depois no exército prussiano, voltando a integrar o exército francês na Restauração, com a patente de general de brigada.
Vieram depois outras edições, especialmente a dos generais Burnod e Husson, no Segundo Império. Esse regime não podia deixar de levar a público de maneira sistemática as palavras do grande homem. Além da bem conhecida publicação da Correspondance, o regime patrocinou uma edição, dirigida por Damas Hinard, das opiniões e avaliações de Napoleão I, por ordem alfabética, e não apenas no terreno militar.

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