Luciana Stegagno-Picchio – História Da Literatura Brasileira

Luciana Stegagno-Picchio, autora italiana da História Da Literatura Brasileira, oferece ao público brasileiro um trabalho feito originalmente para os leitores italianos que se interessassem por Literatura Brasileira.
Sua primeira edição, para o público europeu, data de 1972. Década marcada por revoluções teóricas no campo do conhecimento, como por exemplo, a teoria da recepção proposta por Hans Robert Jauss que passa a definir um novo olhar sobre a escrita literária.
A primeira edição brasileira só apareceu na década de 90 e a sua segunda edição, revista e ampliada, foi lançada no ano de 2004. Quando apresentada ao público brasileiro a história sofreu modificações segundo a autora, devido à mudança do público alvo.
Apesar de ser uma escrita contemporânea, ela apresenta um modelo historiográfico tradicional. Porém, sua condição de produção estrangeira, seu alargamento do cânone devido à abrangência do período estudado (dos primórdios até 2003) e outros recursos utilizados proporcionam uma abordagem crítica que acrescentam novos componentes aos métodos da historiografia literária brasileira.
Luciana Stegagno-Picchio traça um recorte que privilegia em primeira instância as obras literárias, mas que se preocupa também em contextualizá-las em seu período sócio-histórico. Além disso, a autora trata de fatores como o teatro (apresentação teatral), a ópera, a imprensa e até mesmo a música popular.
Tais manifestações culturais tiveram muita força e consequentemente muita influência em períodos diferenciados de nossa cultura.
Stegagno-Picchio aborda a literatura brasileira amparada sempre nestes dois pólos principais: o contexto sócio-histórico e as manifestações culturais mais influentes do período. Dessa forma, corrobora com Ángel Rama que vê o escritor sendo parte indissolúvel de uma cultura, cuja influência afeta diretamente sua produção e influenciado em sua produção por todas as manifestações culturais em seu entorno.
A estrutura da história da autora italiana não diverge da maioria das histórias literárias. Há uma divisão por períodos bem demarcados onde são sustentados um cânone fortemente apoiado em escritas historiográficas antecedentes.
A autora não se constrange em afirmar que utilizou em sua pesquisa uma série de outras histórias literárias, tais como a Alfredo Bosi, Antonio Candido, de José Veríssimo, de Silvio Romero, entre outras. Além do aparato historiográfico a autora também utilizou a crítica da literatura brasileira apoiada nos nomes de Massaud Moisés, Roberto Schwarz, Lucia Miguel Pereira, José Aderaldo Castello, Gilberto Freire, etc.
Todo esse rol de escritores está nos alicerces dessa obra como em diversos momentos aparecem em citações, que a autora usa para ratificar suas ideias e também para usá-las em consonância com seus argumentos como sua própria voz, visto que o texto em diversos momentos apresenta apenas a opinião do autor citado

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