A proposição desses estudos, cumpre notar, é toda envolta no patético, porque, conforme os próprios ensaios vão argumentar, saímos há algum tempo da era da crítica para entrarmos na da diversão, da era da exploração corporal para a da maquinização comportamental. A criação está, dialeticamente, cedendo lugar à simulação. O problema que, talvez, tenhamos de resolver em pouco tempo é como continuaremos a carregar nossa carcaça de carbono, se de nós, como humanos, restar apenas a nostalgia, senão apenas a lembrança em meio ao desenvolvimento do processo civilizatório.
De todo modo, o primeiro ensaio oferece um rápido panorama sobre as origens da cibercultura e a relaciona com o progresso da indústria cultural no final do último século, indicando algumas questões centrais que essa conexão coloca do ponto de vista reflexivo. O objetivo é caracterizar a problemática que nos interessa e apresentar os fundamentos em que se pode colocar sua reflexão intelectual.
Os ensaios subsequentes, em número de quatro, formam um bloco e examinam o modo como se viu o futuro das relações entre homem e máquina no plano de várias formas artísticas do final do século passado.
O problema metódico com que eles se deparam consiste no eterno desafio que é o da análise cultural de obras musicais, peças literárias, bens iconográficos e produtos audiovisuais. Diante dessa tarefa, a dificuldade no desafio que é traduzir em palavras o que nos é dado poética, visual e sonoramente.
Em nosso ver, a saída para evitar a arbitrariedade e o antídoto para o subjetivismo interpretativo é recortar e montar esses materiais conforme objetivos bem enunciados, para não falarmos na necessidade de inserir sua análise em um contexto hermenêutico bem determinado. A pretensão de expressar teoricamente os sentidos visual e auditivo é sempre violenta e quimérica, mas na resistência que esses materiais opõem à análise também se abriga parte de nossa estupidez. Nesses casos, a consciência crítica só pode se expressar em atitude dialógica e só se pode postular em termos de mediação interpretativa.
O próximo bloco é formado por outros quatro textos, cujo objetivo é apresentar os termos da discussão contemporânea sobre nosso pretenso futuro pós-humano, para simultaneamente desenvolver alguns elementos de criticismo histórico e filosófico. A proposta subjacente aos textos todos é que se veja o pós-humano como senha de certos problemas que se colocam à humanidade na atual encruzilhada da sua história.

Deixe uma resposta