Na investigação filosófica das últimas décadas o cepticismo tem sido alvo de um redobrado e crescente interesse, que tem incidido quer sobre a reavaliação dos temas e, sobretudo, problemas cépticos a ele atinentes, quer sobre a reapreciação dos autores e correntes de pensamento em cuja filosofia ele desempenha um papel determinante. Significativamente, esta revitalização tem sido feita do ponto de vista tanto da tradição filosófica anglo-saxónica como da continental, podendo mesmo vir a ser considerado uma das possíveis pontes entre as duas.
Montaigne é um autor privilegiado para a partir, ou em torno, dele se investigar o cepticismo, em várias perspectivas. Em especial o é quando a investigação incide não apenas sobre questões teóricas, mormente as ligadas ao conhecimento, a que por tradição moderna mais se vincula a problemática céptica, mas, de igual maneira, sobre temas e problemas de ordem prática. O que é natural, porquanto, afinal, Montaigne se pode considerar haver, sobretudo, sido um filósofo político e moral. Todavia, o estatuto do cepticismo nos Ensaios não deixa de constituir matéria controversa, como controverso acaba por ser o papel desempenhado pelo Autor na tradição céptica, devendo-se encarar tanto a vertente que sobre ele pesa, como a que ele marca de forma indelével.
O estudo de Maria José Vaz Pinto, Cepticismo e Relativismo na Sofística Antiga, segundo Sexto Empírico centra-se precisamente sobre um movimento de pensamento onde, antes de Pírron, considerado o iniciador do cepticismo propriamente dito, vamos encontrar desenvolvidos problemas e linhas de argumentação que irão ser fundamentais no pirronismo. A Autora analisando e comentando os fragmentos sextianos sobre Protágoras e Górgias, apura as afinidades e distâncias das suas posições com o pirronismo de Sexto. Vem, assim, a focar uma dicotomia essencial de ascendência sofística na consideração do cepticismo, como também na maior parte dos autores a ele ligados em período posterior, incluindo Montaigne: a argumentação antilógica baseada no conflito de opiniões e desembocando na suspensão; e o relativismo.
É a relação entre estes dois elementos que aqui mais prende a atenção da autora de A doutrina do Logos na Sofística, a qual também se preocupa em mostrar como o relativismo de Protágoras escapa às principais objecções que se põem a essa posição.
Rui Bertrand Romão debruça-se de igual modo sobre o cepticismo antigo.

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