A Iniciação Científica (IC) pode ser entendida sob duas perspectivas dentro do ensino superior. Na primeira, é um processo que abarca todas as experiências vivenciadas pelo aluno durante a graduação, com o objetivo de promover o seu envolvimento com a pesquisa e, consequentemente, sua formação científica, incluindo programas de treinamento, desenvolvimento de estudos sobre a metodologia científica (dentro de uma disciplina ou não), visitas programadas a institutos de pesquisa e a indústrias etc. Na segunda, adotada neste livro, a Iniciação Científica é definida como o desenvolvimento de um projeto de pesquisa elaborado e realizado sob orientação de um docente da universidade, executado com ou sem bolsa para os alunos.
A atividade teve início na década de 1930, quando foram criadas as primeiras universidades brasileiras com o ideal da pesquisa científica, e passou a ser financiada a partir de 1951, com a fundação do atual Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Até 1987, as bolsas de Iniciação Científica eram distribuídas pelo CNPq aos estudantes mediante solicitação direta do pesquisador. Em 1988, quantidades fixas anuais de bolsas passaram a ser concedidas também às instituições, através do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). As instituições deveriam, então, criar seus próprios dispositivos de distribuição das bolsas aos seus pesquisadores que indicavam estudantes para atuar em seus projetos de pesquisa, bem como promover simpósios anuais para a apresentação dos trabalhos produzidos. Esse novo formato promoveu um grande aumento na abrangência do programa, que atualmente representa grande parte das 30 mil bolsas de Iniciação Científica oferecidas pelo CNPq. Sendo a atividade fomentada por outras agências e também realizada em caráter voluntário, acreditamos que sua abrangência seja considerável, principalmente nas universidades com envolvimento em pesquisa.
Apesar desse crescimento e abrangência, até hoje a temática não assumiu grande destaque nas discussões sobre o ensino superior. Percebemos que há uma quantidade muito pequena de pesquisas que se dedicaram a analisar os efeitos da Iniciação Científica para a formação do graduando. Por outro lado, reforçando sua importância, os resultados advindos desses poucos trabalhos nos permitem afirmar que a Iniciação Científica representa uma experiência de sucesso na complementação da formação acadêmica e pessoal do universitário e no encaminhamento para a pesquisa e a formação profissional. Considerando essas contribuições, nos parece inegável a relevância do programa para a formação educacional dos alunos de graduação que dele participam. Dessa forma, justificamos a inserção desta temática no campo da educação e produzimos esta coletânea reunindo aspectos históricos, organizacionais e formativos da atividade no ensino superior brasileiro.

   

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