Fernanda Massi – O Romance Policial Místico-Religioso

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Desde o século XIX, com o célebre detetive Auguste Dupin, de Edgar Allan Poe, e a extensa cadeia de personagens e narrativas de mistério que em maior ou menor medida descenderam dali – passamos, nesse prolífico percurso, por Conan Doyle, Agatha Christie, Raymond Chandler, só para citar alguns autores –, o gênero policial foi se consolidando e, enquanto expandia progressivamente seu público, matizava-se e assumia novas formas.
Este trabalho é resultado de uma longa pesquisa que privilegia o estudo do gênero romance policial a partir dos livros mais vendidos no Brasil, os best-sellers. Tomando como suporte teórico a semiótica discursiva, de origem greimasiana, buscamos delinear a configuração dos romances policiais com ênfase no nível narrativo do percurso gerativo de sentido.
Visto que o romance policial vem sofrendo alterações significativas desde sua criação no século XIX, constatou-se que, entre os romances policiais mais vendidos no Brasil no início do século XXI, o fazer do detetive não se centra exclusivamente na descoberta da identidade do criminoso, já que não é esse o único segredo da narrativa. Muitas vezes, o assassinato só serve de estímulo para que o detetive realize outras investigações a respeito, por exemplo, da motivação do criminoso, das consequências do assassinato para a sociedade etc.
Neste livro, apresentamos um subgênero do romance policial que denominamos de “místico-religioso” e que se diferencia bastante do modelo proposto ao gênero policial clássico, fazendo muito sucesso com o público leitor brasileiro. O segredo que prevalece nessas narrativas não é apenas acerca da identidade do criminoso, mas também, e principalmente, sobre alguma informação religiosa decisiva para a vida das outras personagens.
Entre os livros mais vendidos no Brasil no período de 1980 a 2009, cujas listas foram publicadas no Jornal do Brasil, encontramos sete romances policiais que representam o subgênero aqui determinado, ou seja, o romance policial místico-religioso.
O livro de Umberto Eco, O nome da Rosa, é o primeiro romance policial (de nosso corpus) que explora a temática místico-religiosa; nessa obra, a responsabilidade pelos assassinatos ocorridos em um mosteiro medieval é atribuída a Deus, num ato de julgamento de práticas heréticas cometidas por jovens monges.

   

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