Nossa época pós-cristã, que parece haver esquecido até mesmo o nome de Deus, não ignora entretanto certa sacralidade. As maravilhas da natureza nos atraem de forma inesperada, e qualquer universo mental hermeticamente fechado se rompe bruscamente diante do espetáculo da abóboda celeste, do oceano ou dos cumes montanhosos.
Ao reportar a natureza a seu Criador, ou ao perceber que ele mesmo não está acima dessa mesma natureza, o homem vê seu orgulho ferido contra a majestade do universo.
Diante do mistério da criação, cada um de nós volta a ser a criança a despertar para o mundo, a criança que nunca deixamos de ser.
O Pai celeste se faz conhecer por meio do que foi feito (Rm 1, 20). O livro da natureza é exposto pelo Criador – em seguida Ele nos guia até o ser, abre-nos à metafísica, introduz-nos à causalidade e à finalidade.
As criaturas manifestam a sabedoria, o poder e a bondade divinos; nossos conhecimentos e conceitos provêm todos daí. “Eles não entendem os atos de Javé, nem as obras de suas mãos. Que ele os arrase e não os reconstrua!” (Sl 28, 5).
O respeito pela natureza forma assim um alicerce intelectual e emocional sobre o qual todos podem se basear: tanto o crente, respeitoso à obra divina, quanto o descrente, tomado pela majestade e beleza da natureza.
Necessidade filosófica e religiosa para o homem de fé, necessidade concreta e racional para os outros, vítimas da poluição e da degradação do meio ambiente.
Entretanto o discurso ecológico, apoiado sobre tais instituições, veicula certos traços revolucionários que são obviamente mais preocupantes.
Ademais, parece que todos os partidos políticos têm pressa de “reciclar” as idéias ecológicas, e tem-se formado um pensamento ecológico único do qual ninguém se dá conta, e o qual tampouco ninguém contesta.
Um discurso onipresente monopoliza as mídias, lugar do pensamento público, e uma nova ideologia parece estar emergindo.
Pouco a pouco, acobertados por um discurso de proteção à natureza, todos os setores da sociedade vêem impor-se um controle indireto: a economia primeiramente, que é submetida a restrições sem correspondência com os benefícios esperados em matéria de saúde; as mídias, sempre preocupadas em fazer ecoar os movimentos da sociedade, de amplificá-los ou criá-los; e em seguida a educação, o lazer, os transportes etc…
Não estaríamos nós em presença de um discurso totalitário mascarado, cujas potencialidades revolucionárias foram gravemente subestimadas? Não estaríamos testemunhando a subversão da verdadeira ecologia, aquela que é respeito pela obra do Criador?

   

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