Este livro pretende discutir a experiência educacional do movimento de cultura popular De Pé no Chão Também se Aprende a Ler, vivida em Natal, Rio Grande do Norte, de fevereiro de 1961 a abril de 1964.
Parto do princípio de que todo livro busca responder a uma pergunta importante – importância avaliada, evidentemente, pela ótica do autor.
A minha pergunta pode ser desdobrada em duas:
1 – Que fazer quando, no curso de um processo histórico, os fatos são narrados e interpretados de forma deliberadamente truncada?
2 – Que fazer quando, por um longo período desde 1964, só se conhece uma versão oficial desses fatos – e essa versão é marcadamente passional?
A minha resposta é que a sociedade, neste caso, deve reivindicar a tarefa de restabelecer a verdade histórica ou, pelo menos, conhecer e discutir uma interpretação alternativa.
A proposta do livro está de acordo com essa resposta.
Por outro lado, também é dever de justiça resgatar para a História fatos importantes da vida de um povo e neles dar voz aos mortos: aqueles que tiveram participação ativa nesses fatos e que, por isso mesmo, foram silenciados. Cito e homenageio: o Prefeito Djalma Maranhão (morto no exílio no Uruguai), o Vice-Prefeito Luiz Gonzaga dos Santos (morto num cárcere no Recife), o Professor e ex-Deputado Luís Ignácio Maranhão Filho, membro do Comitê Central do PCB e irmão do Prefeito Djalma Maranhão (dado como “desaparecido” desde 1974).
No memento dos vivos, rezo por todos aqueles que tiveram suas vidas destroçadas pelo crime de participarem de movimentos de cultura popular no Brasil e particularmente em Natal.
Por tais razões, De Pé no Chão Também se Aprende a Ler é um livro político, engajado, mas que procura com todo o rigor ser fiel à verdade. Quase 200 notas de referência, incluídas no final do volume, apoiam e amparam essa intenção.
Longe de ressentimentos, isento de veleidades literárias, o livro pretende contar uma história. Aliás, uma bela história, tendo como cenário uma pequena cidade do Nordeste brasileiro. Como personagens, pessoas idealistas e pessoas pobres em torno da idéia de construir escolas pobres.
A história termina nos primeiros dias de abril de 1964.
Com final nada feliz.

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