Sem a Reforma agrária, solucionando o problema da produção, (…) enchendo a barriga do povo e sem executar o projeto regulamentando a remessa de lucros, caminho certo para estabilizar a nossa moeda, evitando que Cruzeiro fique cada vez mais desvalorizado e consequentemente desmoralizado, não é possível deter a inflação.
Não é preciso ser professor de Economia Política para chegar à conclusão que a reforma agrária e a lei disciplinado a remessa de lucros para o exterior, são os pontos fundamentais para enfrentar a espiral inflacionária, que é pior do que um câncer e corrói o organismo nacional.
Imaginam o que representa isto? Cutucar o cão com vara curta.
Declarar guerra, simultaneamente, ao Latifúndio e ao Imperialismo. Uma luta corpo a corpo em duas frentes, com os mais temíveis adversários.
O governo Castelo Branco, forjando estatísticas, é um governo que não tem medo do ridículo. A orgia da alta dos preços, particularmente dos gêneros de primeira necessidade, está levando o país ao desespero.
Estamos na antecâmaras de um colapso financeiro e o pânico começa a dominar os grupos empresariais, com a falência de várias indústrias.
A ilusão de que haverá um afluxo de capitais estrangeiros, leva o governo a uma posição super-entreguista, desnacionalizando em ritmo aterrador, o que resta da indústria nacional.
A subordinação à criminosa política do Fundo Monetário Internacional leva o governo Castelo Branco a deixar uma herança catastrófica, um país faminto vítima de uma inflação galopante.
Getúlio Vargas deu um tiro no peito e deixou a sua Carta Testamento, que deve ser lida e discutida por todos os brasileiros, pois, agora, mais do que nunca, torna-se necessário a sua divulgação, análise e amplos debates, em torno das forças da corrupção internacional que aviltam, rebaixam, desonram, a soberania das nações economicamente fracas, como é o caso do Brasil.
A bandeira de Getúlio Vargas ficou nas mãos de João Goulart. Sua Carta Testamento, que já pertence à história, é o breviário dos nacionalistas brasileiros.
É irreversível o processo de emancipação econômica do Brasil.
Deter a emancipação, não é tarefa nem para gigantes, quanto mais para os anões que fizeram a quartelada de Abril.

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