A questão em torno do tempo se traduz em um dos grandes temas do campo do conhecimento nas denominadas humanidades (filosofia e história, principalmente), como também da física. Ao mesmo tempo, o tema do tempo nos conduz à própria representação do ser humano. Partindo das antigas religiões, verifica-se como as primeiras cosmovisões implicam em uma leitura do homem no conjunto do tempo mítico.
É nesse quadro de interrogações sobre o tempo que temos de inserir a noção de temporalidade da história, não só com o objetivo estritamente filosófico. É tarefa do pensar histórico refletir sobre a temporalidade das várias fases da humanidade; eis uma das especificidades da história (constituída como saber). Se os homens e mulheres da história (efetiva) apresentam-se com várias formas de experienciar o tempo (as temporalidades específicas), a tarefa da história (constituída como saber) é apreender essas formas de acordo com as épocas, períodos, grupos sociais, etc..
Essa foi a lição que nos transmitiram diversos historiadores como Jacques Le Goff e Philippe Ariès, por exemplo. A tarefa da história se avizinha, nesse objetivo, ao da antropologia cultural e da filosofia. Mas ela tem a consciência que é sua tarefa configurar, com o atestado das evidências documentais, as várias temporalidades vividas pelo ser humano através da história (efetiva).
Em relação a esta obra – A temporalidade da histórica – algumas considerações (de ordem da composição) devem ser expostas. De início analisamos o historicismo de Hegel. Filósofo de grande importância para o tema da temporalidade histórica moderna, Hegel pode ser entendido como o primeiro grande filósofo a introduzir o tema do tempo histórico no núcleo de seu sistema. De certa forma, foi Nietzsche quem intenta um rompimento ante seu historicismo. Mas há uma corrente de pensamento que se inicia com Hegel e encaminha-se, via Marx, para um pensar temporal do homem como um ser temporal, concretamente determinado. Na perspectiva de A temporalidade da histórica, pensamos que para se compreender todo o empreendimento de Foucault (com auxílio de Nietzsche), deve-se entender primeiro, o historicismo de Hegel.
Há também alguns capítulos que empreendem um esforço no intuito de compreender pensadores importantes da temporalidade histórica. Entre eles, enumeramos os pensadores: Rüsen, Kosellek e Ricoeur. Conceitos importantes são analisados, como de representância (Ricoeur), estratos do tempo/espaço de experiência e expectativa de futuro (Koselleck) e consciência histórica (Rüsen).

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