Nevando em Bali, da escritora australiana Kathryn Bonella, é um livro raro e absorvente, que traz revelações que vão chocar os leitores interessados em jornalismo investigativo e em histórias humanas por trás dos folhetos que prometem paraísos terrestres.

Existe algo entre Bali…
… E traficantes de drogas.
São um par perfeito — Bali, com sua abundância de hotéis, sol, surfe, milhões de turistas, uma torrente interminável dos maiores traficantes de drogas do mundo e uma forte cultura de corrupção, o paraíso das festas é o lugar ideal para brincar de vender drogas.
Isto é, até você ser pego.
“Você está vivendo o sonho até que você roda e é atropelado pela realidade… Esse jogo é fodido de perigoso.”
— Brasileiro chefe do tráfico, preso em Bali com aproximadamente um quilo de cocaína.
Nevando em Bali evoluiu organicamente dos meus dois outros livros, Hotel Kerobokan e No More Tomorrows (a biografia de Schapelle Corby). Penso neles como a minha trilogia de Bali, já que cada um foi pensado a partir do anterior e há personagens e temas sobrepostos.
Escrever o livro sobre Schapelle — presa no aeroporto de Bali com 4,2 quilos de maconha e condenada a vinte anos de prisão — abriu meus olhos para o insano, bizarro mundo de Hotel K. Sentada diariamente na prisão por alguns meses para entrevistá-la, eu vi sexo e violência em primeira mão, e a experiência de conhecer muitos dos outros prisioneiros inspirou Hotel Kerobokan.
A pesquisa subsequente e a própria escrita de Hotel Kerobokan me deram um vislumbre da vida na ilha e do fato de que, fora das paredes brancas da prisão, Bali compartilhava muitos dos mesmos problemas.
Apesar da imagem passada pelo filme Comer, Rezar, Amar, a corrupção era endêmica, a violência, amplamente disseminada, e os traficantes de drogas faturavam alto, vendendo tanto dentro da ilha quanto para fora, especialmente para a Austrália. Bali está localizada em um ponto estrategicamente perfeito para o tráfico internacional, e seus milhões de turistas servem como uma camuflagem ideal.

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