Carlos Orsi – O Livro Dos Milagres

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O Mar Vermelho nunca se abriu para os hebreus. Não houve pragas no Egito. O Sol não parou no céu para ajudar o exército de Josué. O verso do Evangelho de Mateus, com a profecia de que o messias seria filho de uma virgem, na verdade não passa de um erro de tradução.
Epilepsia e enxaqueca provavelmente estão na origem das visões e profecias que deram impulso às mais influentes religiões do mundo atual. Epilepsia e outra doença, a Síndrome de Gilles de la Tourette, explicam os mais graves casos de possessão demoníaca.
O Sudário de Turim é apenas uma pintura realizada no século 14. Relíquias milagrosas, como o sangue de San Gennaro, quase certamente não contêm sangue, mas um material parecido com catchup, e não passam de fraudes criadas séculos depois da morte dos mártires que pretendem representar.
O número de pessoas que morre a caminho do Santuário de Lourdes, na França, é maior do que o de pessoas que são “milagrosamente” curadas lá. A mãe de Lúcia Santos, a visionária de Fátima, considerava a filha uma fraude.
O “falar em línguas” dos neopentecostais e católicos carismáticos não representa nenhuma língua, conhecida ou desconhecida, terrena ou celeste, é apenas uma livre associação de sons que tenta simular a estrutura de um idioma natural.
O que você leu nos parágrafos acima pode lhe ter parecido chocante, mas nada disso é realmente novidade. São fatos, em sua maioria conhecidos há décadas, quando não há séculos, por especialistas de diversos campos, incluindo história, arqueologia, linguística, psiquiatria, mitologia e, sim, teologia. Não são, no entanto, fatos fáceis de encontrar.
O objetivo deste livro é facilitar o acesso do público às conclusões científicas acerca de eventos tidos como milagrosos – explicando-os e contextualizando-os. Fontes são citadas e, sempre que possível, um pouco do ambiente histórico que cercou cada caso e investigação é descrito para ajudar na compreensão e oferecer um pouco de cor e perspectiva.
Alguém poderia questionar o propósito e, até mesmo, a sabedoria de se estudar milagres cientificamente. Trato da questão de forma mais aprofundada no capítulo sobre o poder da oração, mas minha justificativa se liga ao argumento feito, no século 19, pelo matemático William Clifford (1845-1879), em seu ensaio A ética da crença: aquilo que você acredita ser verdade influencia as decisões que você toma e, com isso, o efeito que você tem sobre as pessoas ao seu redor e a sociedade em geral.

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