São de Aldir Blanc algumas das mais belas letras do cancioneiro popular brasileiro. Quem não se emocionou, ainda nos tempos da ditadura, antes da anistia, com o resultado de sua comovente parceria com João Bosco, quando Elis Regina soltava a voz em “O Bêbado e o Equilibrista”?
Naqueles tempos heróicos, em que Aldir brandia sua pena feérica também nas páginas irreverentes do velho “Pasquim”, os inimigos eram o militar, o tecnocrata, o dedo-duro, o torturador, os amigos do rei que sugavam as tetas do Estado, buscando socorro nos cofres públicos, e por aí vai.
A democracia expulsou esses tipos das páginas dos jornais de esquerda, das letras de música, das peças teatrais e dos panfletos, mas desgraçadamente eles foram substituídos por outro tipo igualmente detestável de gente: PC Farias, José Carlos dos Santos, João Alves e os anões do orçamento, lobistas e até ex-comunistas repentinamente apaixonados por capitalistas – não pelos bons, mas pelos predadores.
Pobre Brasil! O país do futro sempre à espera de virar super-potência ficou reduzido a, que vergonha, uma pedra pesada no caminho do desenvolvimento da América Latina. Um país que japoneses visitam para fazer sempre a mesma pergunta: “Brasil tem terra, Brasil tem energia, Brasil tem recursos minerais, Brasil tem povo. Porque Brasil é pobre?”
Pois é: o Japão também tem seus corruptos, mas em nosso país a tragédia é que, à ladroagem, somam-se a incompetência, o mau-gosto e o egoísmo das chamadas elites dirigentes. Uma tropa de anões do caráter e gigantes da malandragem grossa que, até por causa da omissão dos que se vangloriam de ser honestos e capazes, tomaram conta do aparelho estatal, para chupá-lo até a morte.
Essa história satírica de Aldir Blanc, essa trajetória de farsantes pode ser lida como a história tragicômica de nossos amargos dias de desânimo. O que terá acontecido conosco para que tenhamos sido condenados a tamanho castigo? Esse de assistirmos, diariamente, aos sucessos dessa chusma de farsantes que riem de nossa impotência diante de seus desmandos?

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