Chegamos à imaginação simbólica propriamente dita quando o significado não é de modo algum apresentável e o signo só pode referir-se a um sentido e não a uma coisa sensível. Tal modo de conhecimento nunca adequado, nunca objetivo, dado que nunca atinge um objeto e se pretende sempre essencial porque se basta a si próprio e que traz em si mesmo, de modo escandaloso, a mensagem imanente de uma transcendência, nunca explícita mas sempre ambígua e geralmente redundante, verá, ao longo da História, numerosas ações religiosas ou filosóficas levantarem-se contra ele. Este conflito será analisado sucintamente neste livro. Mas, depois de se verificar que apesar da ofensiva de toda uma civilização, o símbolo está de boa saúde e que a própria abordagem do pensamento ocidental contemporâneo deve, de boa ou má vontade, sob pena de alienação, encarar melodicamente o fato simbólico, serão igualmente tratados na obra a realidade simbólica e os métodos da simbologia.
Sempre reinou uma extrema confusão na utilização dos termos relativos ao imaginário. Talvez seja necessário pressupor que tal estado de coisas provém da extrema desvalorização que sofreu a imaginação, a phantasia, no pensamento do Ocidente e da Antiguidade clássica. Imagem, signo, alegoria, símbolo, emblema, parábola, mito, figura, ícone, ídolo, etc., são utilizados indiferentemente pela maior parte dos autores.
A consciência dispõe de duas maneiras para representar o mundo. Uma direta, na qual a própria coisa parece estar presente no espírito, como na percepção ou na simples sensação. A outra indireta quando, por esta ou por aquela razão, a coisa não pode apresentar-se em carne e osso à sensibilidade, como por exemplo na recordação da nossa infância, na imaginação das paisagens do planeta Marte, na compreensão da dança dos eletrons em torno do núcleo atômico ou na representação de um além da morte. Em todos estes casos de consciência indireta, o objeto ausente é re-presentado na consciência por uma imagem, no sentido muito lato do termo.

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