Zélia Lopes Silvia – Dimensões Da Cultura E Da Sociabilidade

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Avaliações sobre a “morte” dos carnavais em São Paulo são recorrentes tanto nos jornais quanto na bibliografia especializada, a qual faz balanço assemelhado sobre os voláteis carnavais de rua da capital paulista, indicando o desinteresse dos foliões para essas modalidades de celebrações, muito embora admitam a realização dos bailes pelos clubes, ao longo das décadas de 1940 e 1960.
Tais balanços negativos materializam-se nos poucos estudos existentes sobre os carnavais paulistanos – destaque-se que, para o período aqui proposto, há ainda menos estudos.
Uma exceção é o livro da socióloga Olga von Simson, Brancos e negros no carnaval popular paulistano: 1914-1988, cujo foco é a recuperação desses eventos sob a ótica dos foliões populares, de 1914 a 1988, por intermédio dos depoimentos deles, que narram o percurso de seu envolvimento, nessa longa duração.
A autora identifica as mudanças ocorridas posteriormente à década de 1950 e que permitiram o ressurgimento do Carnaval popular paulistano, por meio das escolas de samba, mas sem contextualizar os diversos momentos das celebrações, tampouco sua relação com os festejos carnavalescos gerais nas diferentes conjunturas.
Por que, então, pesquisar tais folguedos se homens e mulheres não estavam mobilizados para brincá-los tal qual ocorrera antes? De fato, não se trata de um período de florescência dos carnavais, nem em São Paulo nem no país.
E também não se trata de carnavais espetaculares, dos sonhos da imprensa, mas isso não significa que os paulistanos deixaram de se envolver nos folguedos de Momo. À medida que as pesquisas avançam, essas formulações ficam cada vez mais esgarçadas e sem base de sustentação.
Os indícios e registros diversos revelam que os habitantes da cidade participaram da organização dos desfiles de rua de suas agremiações, foram protagonistas (na qualidade de foliões ou espectadores) nos desfiles públicos (oficiais ou não), nos bailes e nas brincadeiras que animaram esses eventos, invertendo os signos de sociabilidades que definiam as suas relações cotidianas, mesmo que para isso tivessem que enfrentar os recorrentes temporais que se abateram sobre a cidade nesses dias festivos, ano após ano.

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