Antero De Quental – A Bíblia Da Humanidade

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Publicado em janeiro de 1895 no jornal “O Século XXI” de Penafiel, o ensaio crítico A Bíblia da Humanidade, de Michelet, autor que muito o inspirava então, foi posteriormente publicado em formato de livro.
Inicia-se assim: “Dentro do homem existe um Deus desconhecido: não sei qual, mas existe – dizia Sócrates soletrando com os olhos da razão, à luz serena do céu da Grécia, o problema do destino humano.
Nesse ensaio defende que somos todos irmãos, que dentro homem está Deus, a unidade dos corações é a verdadeira cidade de Deus, a consciência da nobreza do destino do homem, a revelação da sua mesma divindade, que a alma da humanidade está em cada homem e na humanidade a alma inteira do mundo, que o Deus da Humanidade é o mesmo homem e o seu ideal a religião da Vida, sendo o seu templo o mundo e a Vida, a sua revelação…“.

Colaborou Antero do Quental, assiduamente, em verso e prosa, com João de Deus e outros vultos literários da geração de 1864, no Século XIX , periódico que nesse ano se publicou em Penafiel, sob o influxo e direção de Germano Vieira Meirelles, seu condiscípulo na Universidade, como ele formado em Direito no ano de 1863, um dos mais pujantes e prometedores talentos dessa geração, com cedo roubado ao renome que por certo conquistaria, se a vida lhe fora mais longa, no mundo das letras e da política.
Entre outros escritos de Antero aí saídos, lugar mui saliente ocupa A Bíblia da Humanidade, trabalho filosófico de ancha envergadura e largos horizontes, que pena é ter ficado incompleto.
Não obstante isto entendi que deveria ele entrar, por seu incontestado valor, na coleção, em que tão piedosamente ponho empenho, de todas as suas obras esparsas, e para o presente opúsculo o traslado. Constitui ele já o duodécimo da mesma coleção, e no intento prosseguirei eu de a esta trazer tudo o que de Antero se não ache publicado em volume sobre si.
Nenhum interesse material me açula neste meu propósito, que nem um só dos exemplares de qualquer dos opúsculos, que vou fazendo sair a lume, é exposto à venda, mas apenas e só nele me anima o veemente desejo de reunir e facilitar materiais para uma edição completa da obra de Antero do Quental, edição em que não ficarão, creio eu, na sombra e nem sequer na penumbra, alguns dos seus trabalhos ainda não reunidos em volume, e alguns até incompletos, tão radiosa a luz que deles ressalta.

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