Ana Luiza Martins – História Do Café

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Transformar o café em bebida deliciosa sempre implicou longo e por vezes penoso processo, até que o produto chegasse ao destino final, para ser apreciado e disputado nas mesas do mundo.
Plantar, colher, beneficiar, despachar e comercializar o grão aromático são tarefas complexas que precedem seu consumo, etapas que não são de pouca monta. O circuito do café, porém, ultrapassa esses estágios de cultivo e comercialização, geralmente afetos a qualquer produto mercantil.
Das floradas brancas dos cafezais, passando pela colheita da cereja vermelha e pelo ensacamento do grão classificado, até se verter o saboroso líquido negro no mercado internacional, esse fruto exótico, em sua origem, tem desencadeado intensa mobilização de homens, máquinas, economias, sociedades e políticas, definindo parte dos destinos do mundo.
Não há exagero nesse registro. Desde sua descoberta, a Coffea arabica traçou novas rotas comerciais, aproximou países distantes, criou espaços de sociabilidades até então inexistentes, estimulou movimentos revolucionários, inspirou a literatura e a música, desafiou monopólios consagrados, mobilizou trabalhadores a serviço da Revolução Industrial, tornou-se o elixir do mundo moderno, consolidando as cafeterias como referências internacionais de convívio, debate e lazer.
Seu alcance, porém, foi além. Traçou o perfil e a história de muitos países que se desenvolveram à sua sombra, vincando-lhes a sociedade e a cultura. Essa identificação imediata pode ser aferida no Brasil, até hoje o maior produtor mundial de café.
As safras generosas nascidas dos cafezais brasileiros sustentaram o Império, fizeram a República e hoje geram divisas significativas para a economia do país. Sua competitividade atinge novos patamares, com excelência de sabor, aroma e corpo – os três itens básicos para a classificação e a apreciação da bebida.
E inaugura nova etapa de sua produção, cuidando agora do mercado de cafés gourmet, demanda que traz sofisticação a toda essa cadeia produtiva.
Sabe-se que é possível contar a História por meio das bebidas. Cerveja, vinho, destilados, chá e até a Coca-Cola – cada uma a seu tempo – marcam processos culturais e representam dinâmicas sociais, econômicas e políticas distintas.
Não foi diferente com o café, que se propagou do Oriente para o Ocidente, prestando-se às demandas mercantilistas que alimentaram o capitalismo, acompanhando as revoluções científicas e financeiras que presidiram a sociedade moderna, figurando como um de seus motores.

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