Lidando diariamente os desafios de sua prática docente ao ministrar aulas de filosofia no ensino médio, o autor do presente livro, Rodrigo Barboza, preocupado com esses desafios, propôs-se a enfrentá-los com sua valiosa ferramenta, o próprio conhecimento.
Aproveitou então a oportunidade que teve para desenvolver sua dissertação de mestrado, investigando propostas de ensino de filosofia produzidas por autores que trazem subsídios para essa tarefa.
Optou então pelo estudo de duas obras de autores nacionais, relevantes nesse campo, à luz de referências teóricas colhidas na obra Ensino de filosofia como problema filosófico, de autoria do filósofo argentino Alejandro Cerletti.
A escolha caiu sobre os trabalhos de Lídia Maria Rodrigo, Filosofia em sala de aula: Teoria e prática para o ensino médio, e de Sílvio Gallo, Metodologia do ensino de filosofia: uma didática para o ensino médio.
O objetivo da investigação era ver em que medida aspectos apontados por Alejandro Cerletti como inerentes ao ensino de Filosofia no Ensino Médio estão presentes nas duas propostas metodológicas oferecidas aos professores do Ensino Médio no Brasil recentemente, por estes dois autores.
Sem prejuízo de eventuais especificidades e diferenças, a conclusão do autor foi de que muitos elementos do pensamento de Cerletti se faziam presentes nas obras dos dois autores brasileiros, registrando-se muita convergência entre as respectivas posições.
Daí o movimento desenvolvido pelo raciocínio do autor.
Num primeiro momento, apresenta o posicionamento teórico de Alejandre Cerletti sobre o ensino de filosofia, posicionamento teórico que Rodrigo toma como paradigma de sua análise comparativa.
Para Cerletti, os professores de filosofia buscam ferramentas para atender suas necessidades de ensinar bem seus alunos. No entanto, existem pressupostos por detrás dessa necessidade que precisam ser explicitados e analisados de forma crítica.
Assim, considera questionável que se possa ensinar filosofia sem uma intervenção filosófica e pessoal acerca dos conteúdos construídos ao longo de quase três milênios ou sem ter para si uma definição de filosofia.
Outro ponto imprescindível de observação é a indispensabilidade de pensar no contexto em que o ensino de filosofia se dará, pois, este ensino possui diferenças significativas em cada um dos contextos em que ocorre.

Deixe uma resposta