O Filósofo existencialista francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), além das famosas obras filosóficas (“A Náusea”, “O Ser e o Nada”), escreveu romances, contos, peças teatrais e atuou também como crítico literário e de artes.
Escrita por Sartre Entre quatro paredes era chamada inicialmente de “Os Outros”.
A peça era uma interpretação de duas amigas de Sartre, as quais iniciavam suas carreiras no palco, Olga Barbezat e Marie Olivier.
Foi apresentada no Brasil pela primeira vez em 1950, no teatro Brasileiro de Comédia, com direção de Adolfo Celli e interpretação de Cacilda Becker (Inês), Sérgio Cardoso (Garcin), Nídia Lycia (Estelle) e Carlos Vergueiro (o Criado).
Já a última encenação ocorreu em 1974, sob a direção de Luis Sérgio Person, no Auditório Augusta de São Paulo, com Nathalia Timberg (Inês), Liliam Leminertz (Estelle), Luiz Linhares (Garcin) e Antonio Maschio (o Criado).
O drama Entre quatro paredes é de poucos personagens, numa ideia de drama ambientado num só cenário.
A história coloca três personagens em um inferno problemático, onde são obrigados a conviverem sem informações que possam refletir a própria imagem, a não ser os olhos dos residentes naquele ambiente confuso.
Este ambiente corresponderia a uma espécie de inferno. Não o tipo de ambiente da mitologia cristã, com garfos, diabos e cheiro de enxofre. Mas um salão decorado, com poltronas e estátua de bronze sobre a lareira, retratando o ambiente com estilo do Segundo Império.
A peça, em um ato, foi escrita ainda durante a Segunda Guerra Mundial. Sartre atendeu a um pedido do editor Marc Barbézat e, devido às dificuldades do período, restringiu os elementos cênicos. Assim, o drama é representado por apenas três atores, num único cenário. Com isso, reduziu o orçamento e facilitou a sua apresentação em turnês.
Confinados numa sala, sem espelhos, os três são obrigados a se ver através dos olhos dos outros.
Inês tenta conquistar Estelle, que, por sua vez, mostra interesse por Garcin.
Inês joga um contra o outro, forçando-os a exibir as suas faltas. À medida que a convivência se torna insuportável, Estelle tenta matar Inês, que apenas ri, pois já está morta. Garcin tenta se vingar amando Estelle diante de Inês.
Expostos em suas falhas, os três acabam chegando à conclusão formulada finalmente por Garcin: o inferno são os outros.

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