Vladimir Nabokov – A Defesa Lujin

Contra a expectativa do pai, que o queria violinista ou pintor, o pequeno Lujin revela-se um enxadrista prodigioso. O menino cresce afastado de seu país, a Rússia em plena revolução bolchevique; e a falta de referências contribui para que construa um universo à parte e aprenda a decodificar o mundo pelas regras do xadrez.
Durante uma partida decisiva, Lujin é surpreendido pelo oponente com uma jogada inesperada e banal. O lance desencadeia uma crise da qual terá dificuldade para se recuperar — e sua vida se torna uma sucessão de estratégias delirantes em que real e imaginário perdem os contornos, e a existência se reduz a um grande tabuleiro de xadrez.
Publicado em 1930, este livro prefigura alguns dos temas-chave das décadas seguintes, como os limites do racionalismo e a formação da identidade em tempos de guerra. Terceiro romance de Vladimir Nabokov, A defesa Lujin revela não apenas um eminente prosador do século XX, como também um de seus mais argutos intérpretes.
Na abertura de A defesa Lujin, o personagem central é enviado pela primeira vez à escola e fica sabendo que a partir de então seria chamado pelo nome da família. O garoto se assusta: ao adotar o sobrenome que havia notabilizado o pai escritor, Lujin vê-se obrigado a abandonar a infância e a assumir responsabilidades para as quais não se julgava preparado.
Apesar das notas medíocres e da falta de amigos, Lujin não demora a demonstrar extremo talento para o jogo de xadrez. Levado pelas mãos de seu empresário e tutor, o enxadrista prodígio participa de campeonatos pela Europa, sem dela conhecer mais do que quartos de hotel e salões de jogos.
Em um mundo que não cessa de exigir respostas firmes e imediatas, a incapacidade de adaptação torna-se a tônica na trajetória do protagonista, marcada por um alheamento que o faz perder gradualmente os vínculos com a razão. Lujin torna-se um adulto apático e sombrio, sem nenhum preparo para enfrentar a Europa daqueles anos.

       

Deixe uma resposta

  1. Olha, eu não tenho palavras para agradecer. Tinha procurado esse livro em vários lugares, e só encontrei aqui, vou por essa página entre os favoritos. Me diga uma coisa, como faz para criar esse PDF? Escaneia tudo ou vai digitando manualmente? Tinham uns livros que queria fazer uma versão digital e compartilhar com as pessoas.

    • Oi Ozymandias!
      Eu não faço a digitalização dos livros, apenas compartilho links que encontro pela internet. Tenho a impressão que para fazer uma digitalização assim “caseira”, ainda tem que ser na base do ir escaneando página por página. O que pode ser feito, é usar alguns recurso para melhorar o arquivo, tipo: cumprimir, para diminuir o tamanho do arquivo.
      Este livro, alguém deve ter conseguido um arquivo mobi (para Kinddle), ou outro formato qualquer, vendido na internet, e feito a conversão para os outros formatos. Digo isso, pela qualidade do arquivo.
      Nunca fiz a compressão, mas tenho utilizado um site que faz a conversão te vários formatos de arquivos, com uma qualidade muito boa (a depender da qualidade do arquivo original): https://www.onlineconverter.com/ebook.
      Se, por um acaso, você digitalizar alguma coisa, mande para que eu possa compartilhar aqui na biblioteca.
      Um abraço!