Em O Fim Do Materialismo, Charles Tart empenha-se tanto em justificar seu título – isto é, em afirmar que o materialismo teve seu tempo, mas já acabou – que achamos melhor, neste prefácio, deixar que o livro fale por si para podermos nos concentrar mais em informações sobre o autor.
Tart pretende reafirmar a dignidade e a liberdade da mente humana, defendendo-a contra o ponto de vista de que nossos mais nobres pensamentos não passam de resíduos de eventos químicos e elétricos em nosso tecido cerebral, e que nossa crença de que temos liberdade de escolha é uma ilusão.
Ele afirma que corpo e mente influenciam-se mutuamente, configurando uma via de mão dupla. Definidos em termos simples, o materialismo (também chamado de reducionismo) e o cientificismo são a ideia de que, no fim das contas, tudo será explicado em termos de correntes elétricas, reações químicas ou leis físicas ainda não descobertas — a mente e o corpo são meros epifenômenos.
A ciência começa quando a experiência não coincide com o que sabemos ou pensamos saber. A partir daí, cria-se uma teoria explicativa com hipóteses que podem ser testadas em condições controladas.
O materialismo é uma teoria que foi extremamente fértil nas ciências físicas, mas seu sucesso nessa esfera do conhecimento levou a teoria a cristalizar-se na crença dogmática no materialismo que domina grande parte de nossa cultura. Não é uma teoria capaz de explicar a totalidade da experiência humana, como a influência benéfica do amor e das relações afetuosas, por exemplo.
É nessas relações que ocorrem os eventos psi espontâneos, mas os testes científicos dos fenômenos psi requerem controle laboratorial, e não a simples narrativa pessoal.
Tendo em vista que os céticos insistem em afirmar a existência de algum agente físico que foi ignorado nesses experimentos, Tart os descreve com riqueza de detalhes. Os leitores podem esmiuçá-los em busca de qualquer coisa que possa estar faltando.
Os céticos bem informados são levados a sério. Quando um deles sugeriu que as informações sobre uma experiência com telepatia ou clarividência talvez não sejam transmitidas por ondas eletromagnéticas, por exemplo, os colegas de Tart consultaram alguns físicos, e esses lhes asseguraram que as ondas eletromagnéticas não penetram 1.500 metros abaixo da superfície do oceano. Os participantes da experiência repetiram-na, descendo 1.500 metros num submarino! Os dados obtidos foram os mesmos.

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