O que é e como é a China, esse país de proporções continentais, que vem registrando taxas anuais de crescimento próximas a 10% e que da década de 70 para cá passou de uma nação fechada a um dos principais parceiros econômicos de todo mundo – onde o Google não consegue entrar?
Para responder a essas perguntas, o prestigioso sinólogo e historiador Rana Mitter parte de duas investigações: o que significa ser chinês, e o que significa ser moderno. O resultado é esta rica introdução sobre a história recente da China e os desafios à espreita.
Mitter contextualiza, corrige distorções, aborda com lucidez aspectos polêmicos e oferece uma nova e fresca visão sobre este instigante e múltiplo país.
A China é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,3 bilhão de habitantes no início do século XXI. Sua economia cresceu na primeira década deste século a uma média de 10% por ano. O país está procurando um papel regional e global, com uma nova presença política e econômica na África, na América Latina e no Oriente Médio, e tem dado passos frequentes para se apresentar como um membro responsável da comunidade mundial, desempenhando um papel em áreas conturbadas, como o Irã e a Coreia do Norte, onde o Ocidente tem pouco controle. As Olimpíadas de Beijing em 2008 marcam o début da China como um membro integrado da comunidade mundial das nações, o apogeu da “ascensão pacífica” que o país tem planejado e construído desde meados da década de 90. O próprio termo “ascensão pacífica” (heping jueqi), associado ao pensador político Zheng Bijian, foi julgado por ideólogos chineses como demasiado agressivo e tem sido substituído pelo termo “desenvolvimento pacífico”. Contudo, a ideia continua a mesma: a China está finalmente ganhando o papel de potência regional e global que perdeu na metade do século XIX.
Em todo lugar que se visita na China, há sinais de mudança. Áreas de considerável tamanho do Oeste da China têm sido inundadas para tornar possível a enorme Represa das Três Gargantas no rio Yangtze. Seus antigos habitantes estão sendo realocados e urbanizados à medida que o país afasta-se de seu passado agrícola e tradicional. Nas cidades, o Baidu, um mecanismo de pesquisa na internet desenvolvido pelos chineses, domina o mercado que, na maioria dos outros países, é dominado pela marca líder mundial, o Google. Abaixo das leis rigorosas de censura da China, existe uma “zona cinzenta” de produção cultural: desde filmes underground que criticam a Revolução Cultural até pornografia, os rebeldes culturais encontram maneiras de divulgar suas visões.

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