Jacques Lacan – Escritos

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A publicação dos Escritos de Lacan no Brasil constitui um marco para a bibliografia psicanalítica em língua portuguesa.
Contendo a íntegra dos textos escritos por Lacan entre 1936 e 1966, inclui “O seminário sobre ‘A carta roubada'”, “O estádio do espelho”, “Função e campo da fala e da linguagem”, “O tempo lógico” e “A direção do tratamento”, entre outros artigos fundamentais para a psicanálise contemporânea.
Criteriosamente traduzido e revisto por especialistas na obra do mestre francês, o volume traz índices remissivos e a paginação correspondente no original francês.
Notas abundantes, preparadas especialmente para a edição brasileira, esclarecem passagens complexas, justificam certas traduções propostas ou reproduzem trechos em que a referência ao original francês se faz imprescindível.

“O estilo é o próprio homem”, repete-se sem nisso ver malícia, e sem tampouco preocupar-se com o fato de o homem não ser mais uma referência tão segura. Além do mais, a imagem da roupa que adorna Buffon ao escrever está aí mesmo para manter a desatenção.
Uma reedição da Viagem a Montbar, da lavra de Hérault de Séchelles, título que retoma uma Visita ao sr. de Buffon, de 1785, propiciaria uma maior reflexão. Não apenas por ali saborearmos um outro estilo, que prefigura o melhor de nossas reportagens bufas, mas por recolocar o próprio comentário em um contexto de impertinência no qual o anfitrião nada fica a dever a seu visitante.
Pois o homem brandido no adágio já então clássico, por ter sido extraído de um discurso na Academia, revela-se, nessa escrita, uma fantasia do grande homem, composta em um roteiro tal que ela toma sua casa inteira. Nada ali provém do natural. Quanto a isso, Voltaire, estamos lembrados, generaliza maldosamente.
O estilo é o homem; vamos aderir a essa fórmula, somente ao estendê-la: 0 homem a quem nos endereçamos?
Isso seria simplesmente satisfazer a este princípio por nós promovido: na linguagem nossa mensagem nos vem do Outro, e para enunciá-lo até o fim: de forma invertida. (E lembremos que esse princípio se aplicou à sua própria enunciação, pois, tendo sido emitido por nós, foi de um outro, interlocutor eminente, que recebeu seu melhor cunho.).
Mas se o homem se reduzisse a nada ser além do lugar de retorno de nosso discurso, não nos voltaria a questão de para que lho endereçar?
Eis exatamente a questão que nos coloca esse novo leitor qual foi feito argumento para reunirmos estes escritos.

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