Jacques-Alain Miller – Silet: Os Paradoxos Da Pulsão

Posted on Posted in Psicologia

Este livro, concebido e escrito por Jacques-Alain Miller, recém-lançado no mercado editorial brasileiro, reproduz o material de seu seminário, desenvolvido no período de 1994 e 1995. A proposta do seminário é a de explorar, da maneira mais densa possível, o percurso de Lacan em torno da concepção freudiana da pulsão.
Na primeira lição, Jacques-Alain Miller procura satisfazer a curiosidade de seus alunos/leitores, dando explicações sobre o título que, num primeiro momento, nos parece obscuro. Trata-se da expressão latina silet, que, segundo o autor, guarda relação com o permanecer silencioso, guardar silêncio. Em seguida, propõe um jogo, uma adivinhação: “o que há em comum entre o analista e a pulsão?”. A resposta é: o silêncio.
Fazendo uma série de associações a partir do silêncio, brincando com a possibilidade de permanecer, ele mesmo, silencioso diante de uma platéia que espera, ávida por suas palavras, Miller acaba por chegar à expressão — Lacan silet — Lacan faz silêncio. Comenta, neste momento, um aspecto da biografia de Lacan que poucas vezes é mencionado: o fato de que, nos anos que precederam sua morte, Lacan foi-se tornando cada vez mais silencioso. “Eu diria que Lacan foi em direção ao silêncio, em direção ao silêncio público”. O discurso de Miller está, assim, às voltas com o silêncio da pulsão, o silêncio do analista e demais articulações possíveis, chegando a falar num gozo silet.
O texto milleriano discorre sobre o primeiro tempo do ensino de Lacan, o período da intersubjetividade, do sintoma como um significado que resiste a ser decodificado, tendo como base textos da década de 50, sobretudo, o Discurso de Roma, até as últimas formulações que envolvem o desenvolvimento do conceito de gozo, com referências, em particular, ao Seminário 20 — Mais, ainda. Assim, o esboço de conceitos como o sintoma vão ganhando nova perspectiva. O desejo, inicialmente formulado a partir da interpretação kojèviana de Hegel, como desejo de reconhecimento, sofre uma verdadeira reviravolta, sendo inserido numa dialética e, depois, articulado a Antígona e à ética da psicanálise. Tais modificações repercutem diretamente na prática da psicanálise.

Deixe uma resposta