Contemporâneo dos Beatles, de Bob Dylan e John Coltrane, o guitarrista, cantor e compositor norte-americano Jimi Hendrix (1942-1970) ocupa, na história da música, um lugar à parte: o de maior guitarrista de todos os tempos. No epicentro dos anos 60, marcados pela transgressão e contestações de todo tipo, ele inventou um novo jeito de tocar a guitarra elétrica e desenvolveu técnicas de gravação em estúdio que mudaram a música popular para sempre. O mundo sonoro por ele criado passou a ser o de toda uma geração que, sem amarras, buscava uma identidade. Sua morte prematura aos 27 anos, tendo gravado apenas quatro álbuns, amplificou o alcance do mito. Junto do seu legado de distorções propositais, do excesso de agudos e manipulação da microfonia, fica a imagem de alguém que tinha a guitarra como uma extensão do próprio corpo.
Uma cena incrível, estonteante. Em Paris, logo após um show no Olympia, em 9 de outubro de 1967, Jimi Hendrix e seus dois parceiros de Experience, Mitch Mitchell e Noel Redding, passeiam pelas lojas da rue Daguerre, como loucos. Eles enchem os espaços por onde passam com seus gestos amplos e suas gargalhadas.
Fitamos com curiosidade aqueles três jovens girando e pulando pelas ruas de Paris. Assistimos, maravilhados, à corrida desenfreada e alegre daqueles três caras de apenas vintes anos que exalam liberdade na enrijecida França, em preto e branco, dos anos 1960. Numa voz em off, Jimi Hendrix canta “Burning of the Midnight Lamp”.
Observamos, fascinados, a reação dos passantes. Ao atordoamento inicial sucede-se o assombro total. Todos ficam espantados, hipnotizados pelo comportamento e pelas roupas daqueles três jovens amalucados. Os três membros da The Jimi Hendrix Experience estão siderados, cheios de ímpeto, liberdade, transbordante felicidade.
Quatro meses antes, o público do festival de Monterey, que assistiu ao primeiro show da Jimi Hendrix Experience em solo americano, também foi pego de surpresa pelo guitarrista, por seu carisma, sua imensa energia; pela música apresentada, som único que mesclava blues e rock. Ao jovem público dos anos 1960 em busca de novidade e liberdade, Hendrix ofereceu naquela noite uma música intensa, ousada, transcendente, vertiginosa e exalando liberdade, frescor, brilho.

Deixe uma resposta