Amanda Palmer – A Arte De Pedir

Cerca de dez anos atrás, em Boston, Amanda se apresentava na rua como estátua viva — mais exatamente, uma estátua de noiva com 2,5 metros de altura e o rosto pintado de branco.
A distância, era possível ver um transeunte que parava, punha dinheiro no chapéu na frente da caixa e então sorria quando Amanda fitava amorosamente os olhos daquela pessoa e lhe estendia uma flor do buquê que tinha nas mãos.
Cantora e compositora, ícone indie, feminista, mulher de Neil Gaiman , agitadora e mobilizadora de multidões online: Amanda Palmer é um retrato perfeito da boa conexão entre o artista e seu público.
Após desligar-se de sua gravadora, Amanda recorreu ao então recém-lançado Kickstarter, site de financiamento coletivo, para conclamar os fãs a colaborar financeiramente para a produção do próximo álbum de sua banda. O projeto arrecadou mais de 1 milhão de dólares, recorde que chamou atenção tanto da imprensa como da indústria fonográfica. Desse episódio surgiu o convite para uma celebrada palestra nos TED Talks. O tema: saber pedir.
Desdobramento inevitável da palestra homônima, o livro A arte de pedir trata essencialmente de recorrer ao outro, sem temor, sem vergonha e sem reservas. Por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação?
Pedir é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana, defende Amanda. Longe de ser um manual sobre como pedir, o livro é uma provocação bem-vinda e urgente, que incita o leitor a superar seus medos e admitir o valor de precisar e doar ajuda, sempre.
Este livro é um presente que nos é oferecido por uma artista sem inibições, uma pioneira corajosa, uma batalhadora incansável — uma mulher que tem a capacidade duramente conquistada e cuidadosamente afinada de enxergar as partes da nossa humanidade que mais precisam ser vistas. Aceitem a flor.

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