Academia Body Factory ou Academia Fábrica do Corpo? Salão de Beleza Adriana Fashion Hair ou Adriana Cabelo da Moda? Advance Informática ou Informática Avanço? O que leva os donos de estabelecimentos comerciais, falantes nativos de português, a optarem por uma ou outra possibilidade para nomear suas lojas, salões de beleza, academias esportivas e outros tipos de estabelecimentos? O que os leva a escolher nomes originários de outras línguas, sobretudo o inglês? Há alguma diferença na preferência de brasileiros e portugueses no que diz respeito ao tratamento de palavras de origem inglesa quando da escolha de nomes de estabelecimentos comerciais? O que essas escolhas representam em termos culturais e linguísticos, principalmente do ponto de vista dos sons da língua?
Essas (muitas!) perguntas são o objeto deste livro. Já de saída, a grande variedade de questões levantadas por Natália Cristine Prado mostra o caráter transdisciplinar da pesquisa inovadora que desenvolveu, que não se restringiu apenas aos campos da morfologia e da semântica (áreas normalmente abordadas por especialistas em criação de palavras), investigando também – e principalmente – o ponto de vista fonológico.
Dessa forma, inovando a maneira de conceber a formação de palavras e extrapolando o ponto de vista morfossemântico, o objetivo principal do seu trabalho, apresentado no livro, foi analisar a maneira como falantes das vertentes do português dos dois lados do oceano pronunciam nomes comerciais contendo palavras de origem inglesa, verificando se ocorrem adaptações à pronúncia desses nomes, “aportuguesando-os”, e, em caso positivo, que tipos de processos adaptativos dos sons dessas palavras acontecem. Assim, o foco da pesquisa passou a ser de natureza fonológica, observando como os estrangeirismos e os empréstimos se comportam linguisticamente, no que diz respeito à constituição de seus sons.
Entretanto, como não se trata de questão puramente linguística, mas condicionada por fatores culturais, Natália Cristine Prado buscou extrair das pronúncias realizadas pelos sujeitos de sua pesquisa informações úteis à discussão multidisciplinar da questão da identidade, investigando em que medida o som do nome comercial criado pode dar pistas da forma como o seu “criador” concebe a sua identidade linguística/cultural e a de seus interlocutores (a quem pretende atrair para o seu estabelecimento comercial como cliente).

 

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