O mundo passou por radicais transformações após a década de 1970, exigindo das diferentes áreas do conhecimento um esforço ampliado no sentido de dar conta da compreensão e explicação dos conteúdos responsáveis por tais mudanças. A Geografia, ciência preocupada em estabelecer as articulações entre sociedade e natureza, por meio da análise espacial, empreendeu um mergulho profundo dentro de si mesma, da sua gênese e desenvolvimento, em busca das bases epistemológicas e teórico-metodológicas que historicamente lhe dão sustentação.
Paralelamente a este processo, no bojo das inter-relações necessárias entre ensino superior e educação básica, muitos profissionais envolvidos com a Geografia na sua dimensão didático-pedagógica passaram a dar mais atenção à análise do conhecimento produzido na universidade e sua instrumentalização nos níveis Fundamental e Médio de ensino, no contexto da educação brasileira. Esta preocupação se explica quando se constata que a Geografia insere-se entre as poucas áreas do “território” acadêmico que têm “lugar” nos mapas curriculares do ensino básico, no Brasil.
Neste sentido, este Discutindo Geografia: doze razões para se (re)pensar a formação do professor tem o objetivo precípuo de discutir questões relevantes relacionadas ao ensino de Geografia, enfatizando a formação do professor, num momento em que, no contexto do meio técnico-científico-informacional, muitas vezes, tem priorizado mais a informação que a formação.
Discutindo Geografia conta com 12 artigos produzidos por educadores da Universidade Estadual de Santa Cruz, os quais procuraram, através de seus textos, (re)pensar a Geografia na sua dimensão pedagógica, discutindo temas e problemáticas diariamente presentes na sala de aula, como:
– a questão do currículo;
– a avaliação da aprendizagem;
– a relação teoria/prática;
– a transposição didática;
– as metodologias de ensino;
– entre outros.
Um ponto bastante positivo em Discutindo Geografia é o fato de contar com experiências extremamente relevantes no ensino de Geografia e, acima de tudo, suas respectivas fundamentações teórico-metodológicas, infelizmente ainda pouco aproveitadas na educação básica brasileira.

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