Embora a historiografia eurocêntrica consagre 1492 como o ano em que o navegador Cristóvão Colombo chegou à América, os outros continentes também efervesciam em acontecimentos.
Na Ásia, na Europa e na África, pipocavam guerras, acordos comerciais, perseguições e disputas religiosas, caracterizando um momento particularmente profícuo e agitado de nossa história, cujas consequências foram sentidas em quase todas as partes do globo.
Em 1492, o historiador Felipe Fernández-Armesto reconstitui de forma original essa atmosfera fervilhante, destrinchando os episódios que explicam o surgimento da modernidade e que tornaram possível o mundo em que vivemos. Uma viagem na companhia de personagens célebres como Isabel de Castela, Zheng He e muitos outros.
Em 1491, apareceu em Roma um profeta maltrapilho esgrimindo uma cruz de madeira como sua possessão mais valiosa. A multidão abarrotava as praças para ouvi-lo anunciar que o ano seguinte seria de lágrimas e atribulações e que depois surgiria um “Papa Angelical” para salvar a Igreja, afastando-a do poder terreno e obrigando-a a abraçar a força da oração.1
A previsão não podia ter sido mais equivocada. Em 1492, houve um conclave, mas o papa eleito foi um dos mais corruptos dentre os que conspurcaram a Santa Sé. O poder terreno continuou desprezando as prioridades espirituais, embora houvesse se iniciado um confronto feroz entre os dois âmbitos naquele mesmo ano.
Longe de ingressar em uma nova era, a Igreja seguiu alimentando e frustrando as esperanças de uma reforma. Em todo caso, os acontecimentos que o profeta não soube prever foram muito mais transcendentais do que aqueles que chegou a anunciar.
O ano de 1492 não só transformou a cristandade, como reordenou o mundo no seu conjunto.
Até então, o mundo se dividia em culturas isoladas e ecossistemas divergentes. A divergência se iniciara cerca de 150 milhões de anos antes com a fratura da Pangeia, uma grande massa continental única que se alçava sobre a superfície dos oceanos.
Depois se formaram os continentes e começou a cderiva continental. Ilhas e continentes separaram-se mais e mais. Em cada lugar, a evolução tomou um rumo diferenciado. Cada continente desenvolveu uma fauna e uma flora peculiares.
As formas de vida se distinguiram de um modo ainda mais espetacular que os povos, cuja diversidade cultural se multiplicou e cuja aparência e conduta divergiam tanto que, quando eles voltaram a entrar em contato, de início enfrentaram dificuldades para se reconhecer como membros da mesma espécie ou integrantes de uma cultura moral comum.

 

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